08/07/2026 às 16:10
Reconhecimento facial avança em SC | foto/ilustração feita por IA
Monitoramento urbano com IA cresce em cidades brasileiras e também começa a ser adotado por empresas e redes varejistas para prevenção de crimes
Santa Catarina tem ampliado o uso de câmeras com reconhecimento facial em áreas de grande circulação, combinando inteligência artificial e bases de dados oficiais (como registros de pessoas com mandado de prisão em aberto) para identificar suspeitos em tempo real. A iniciativa, que vem sendo expandida no estado, reforça uma tendência de uso mais estratégico da tecnologia na segurança pública, com resultados já observados em operações e eventos de grande porte.
Para especialistas, o avanço dessas ferramentas indica uma mudança estrutural na forma de lidar com segurança pública e prevenção de crimes, mas não se limita ao setor público. Rodrigo Tessari, CEO da Deconve, startup catarinense especializada em prevenção de perdas no varejo físico, explica que o avanço dessas tecnologias nas cidades também impulsiona a adoção de soluções semelhantes pelo setor privado.
“A inteligência artificial aplicada ao monitoramento permite identificar padrões, cruzar dados e gerar alertas em tempo real. Isso amplia a capacidade de resposta das autoridades e possibilita que tanto o setor público quanto o privado atuem de forma mais preventiva, antecipando ocorrências e reduzindo riscos”, afirma.
Tecnologia ganha espaço em outros estados
O movimento observado em Santa Catarina acompanha uma tendência nacional de adoção de tecnologias de reconhecimento facial para reforçar estratégias de segurança pública.
Na cidade de São Paulo, por exemplo, o programa Smart Sampa reúne dezenas de milhares de câmeras inteligentes conectadas a sistemas de inteligência artificial capazes de identificar rostos e cruzar as imagens com bancos de dados oficiais. Desde o início da operação, o sistema já contribuiu para a prisão de centenas de foragidos da Justiça, além de auxiliar investigações e localizar pessoas desaparecidas.
Além disso, o governo paulista estuda ampliar o uso da tecnologia para outras cidades do estado e integrar câmeras públicas e privadas em uma rede mais ampla de monitoramento urbano.
Em Minas Gerais, municípios da região metropolitana de Belo Horizonte também implementaram sistemas de videomonitoramento com reconhecimento facial integrados às centrais de segurança pública. A tecnologia permite identificar automaticamente pessoas com mandado de prisão em aberto e gerar alertas para abordagem policial.
Outras capitais brasileiras como Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA) também vêm investindo em soluções semelhantes, especialmente em áreas de grande circulação, centros urbanos e eventos de grande porte, reforçando a utilização de inteligência artificial como ferramenta de apoio às políticas de segurança.
Segurança pública e prevenção no setor privado
Fora o uso pelas forças de segurança, o reconhecimento facial também começa a ganhar espaço em ambientes privados, como centros comerciais, eventos e redes varejistas, principalmente em locais de grande circulação de pessoas.
Segundo Tessari, a integração entre monitoramento inteligente, análise comportamental e bases de dados colaborativas permite reduzir perdas e aumentar a capacidade de prevenção sem a necessidade de ampliar significativamente o efetivo de segurança. “Não se trata apenas de vigilância, mas de usar tecnologia para criar ambientes mais seguros e operações mais eficientes. A análise inteligente de dados ajuda a identificar comportamentos suspeitos, prevenir furtos e apoiar a tomada de decisão em tempo real tanto no monitoramento urbano quanto nos comércios”, explica.
Nesse contexto, a ampliação do reconhecimento facial em Santa Catarina reforça uma tendência que já se consolida no país, a combinação entre políticas públicas de segurança e tecnologias baseadas em inteligência artificial para tornar cidades, eventos e ambientes comerciais mais seguros.
Mário Serafin / Donte: Dialetto
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