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CORRUPÇÃO

“Operação Elli”, o Lulinha, causa incomodo

27/08/2026 às 07:04

O batismo da mais recente fase de investigações da Polícia Federal sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, provocou forte incômodo nos corredores do Palácio do Planalto. O nome escolhido pela corporação — “Operação Elli” — gerou irritação entre aliados do presidente da República, que enxergaram na sigla uma velada provocação ao famoso bordão de campanha do atual governo.

Oficialmente, a Polícia Federal não estabeleceu qualquer associação política e reiterou que a operação é desdobramento técnico de provas obtidas em fases anteriores, com foco na apuração de esquemas de lavagem de dinheiro e quebra de sigilos bancários e fiscais. A defesa de Lulinha, contudo, já adiantou que vai cobrar explicações formais da corporação sobre os critérios do batismo.

A sensibilidade do Planalto com a escolha de um nome escancara, mais uma vez, a prioridade dada às narrativas e à blindagem de imagem. Quando os holofotes se voltam para denúncias graves envolvendo o entorno familiar do poder, a preocupação imediata parece ser o impacto simbólico da sigla, em vez do conteúdo das apurações. 

Curiosamente, em momentos passados, ironias e trocadilhos em nomes de operações policiais eram celebrados como demonstração de perspicácia e independência das instituições. Agora, ao bater à porta do filho do chefe do Executivo, a mesma autonomia institucional passa a ser tratada como provocação ou afronta.

A régua com que se mede a atuação policial não pode mudar conforme o alvo da investigação. O país aguarda o esclarecimento dos fatos concretos, e não o debate de bastidor sobre melindres com o nome da operação.

Alexandre Garcia / Jornalista