04/06/2025 às 03:04
Modelo pioneiro no país, o programa alia eficiência, inclusão e inovação no serviço público
Há exatos 10 anos, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) dava início a uma transformação que mudaria a forma de trabalhar no Judiciário. Em 2014, um projeto piloto envolvendo oito servidores marcou o nascimento do programa de teletrabalho da instituição. Hoje consolidado como referência nacional, o modelo catarinense acumula conquistas: aumento de produtividade, qualidade na prestação jurisdicional, valorização dos servidores e ampliação de políticas inclusivas.
A experiência pioneira demonstrou, já nos primeiros quatro meses, que era possível alcançar mais resultados com maior qualidade — tudo isso acompanhado de ganhos significativos na qualidade de vida dos participantes. O êxito foi tamanho que, em 3 de junho de 2015, o TJSC publicou a Resolução n. 14/2015, regulamentando oficialmente o regime de trabalho remoto no âmbito do Judiciário catarinense.
O analista administrativo aposentado e coordenador da implantação do programa, Xedes Freitas, relembra que atuar como gestor do Programa de Teletrabalho foi um dos seus grandes e mais importantes desafios durante 38 anos de Poder Judiciário. “A cultura dos gestores da Administração Pública foi a de exigir o cumprimento de uma carga horária de trabalho, mesmo sem a preocupação quanto à aferição da produtividade do servidor. Com a definição do tripé do teletrabalho — produtividade, qualidade do trabalho e qualidade de vida —, se alcançou uma grande quebra de paradigma, pois o servidor teve a possibilidade de entregar o seu trabalho com maior produtividade e qualidade. E, simultaneamente, cuidar mais de sua saúde física, mental e principalmente familiar”, compartilha.
Hoje, os números confirmam a eficácia do modelo. Segundo o último acompanhamento semestral, de julho a dezembro 2024, os servidores em teletrabalho apresentaram um aumento de produtividade de 56,74% em relação aos seus colegas em regime presencial. Desde 2015, 627 servidores já passaram pelo regime, e atualmente 356 permanecem nessa modalidade — 27 deles atuando no exterior.
É o caso da técnica judiciária auxiliar do 2º Juizado Especial Cível da Capital, Marilia Wildner da Silva Colombo. Desde o projeto experimental em 2014, ela trabalha remotamente dos Estados Unidos: “O teletrabalho tornou-se uma parte fundamental da minha vida profissional e pessoal. É profundamente gratificante seguir contribuindo em uma instituição tão importante para Santa Catarina, que representa para mim não apenas a realização profissional, mas também uma conexão viva e permanente com a minha terra natal”, enfatiza.
Além da eficiência, o modelo abriu portas para a inclusão. A Resolução GP n. 5/2021 passou a garantir condições especiais de trabalho remoto a servidores e magistrados com deficiência, doenças graves ou dependentes nessas condições. A analista jurídica Graciela de Meneses Fonte Boa, lotada na comarca de Lages, é um dos exemplos.
“Confesso que tinha um certo ‘pré-conceito’ acerca do trabalho nessa modalidade, mas com a pandemia (que obrigou a todos a ficar em casa), mudei meu conceito e convenci-me dos benefícios. Isso porque, diante da minha condição de saúde, não me afasto do trabalho por adoecer. Posso continuar producente sem descuidar da minha saúde”, ressalta a servidora.
De acordo com a Seção de Desenvolvimento de Pessoas, da Divisão de Desenvolvimento e Valorização de Pessoas (DDVP), da Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP), a pandemia da Covid-19, em 2020, reforçou o papel estratégico do teletrabalho ao viabilizar a continuidade dos serviços de forma segura e eficiente. O TJSC foi um dos primeiros tribunais do país a adotar medidas rápidas e consistentes, amparado pela experiência consolidada nos anos anteriores. Com equilíbrio entre inovação tecnológica, gestão humanizada e foco em resultados, o programa de teletrabalho do TJSC é hoje símbolo de modernização na administração pública e motivo de orgulho para seus colaboradores e para a sociedade catarinense.
Como bem resume Xedes Freitas: “Palavras como respeito, reconhecimento, cuidado, profissionalismo e vida profissional saudável fizeram parte de todo esse período como gestor do Programa do Teletrabalho. Gratidão”.
Fonte: NCI/Assessoria de Imprensa
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