30/10/2026 às 19:07
Hust hoje, entrada da Emergência, Av. Rio Branco - Joaçaba
• Início: A construção do Hospital Santa Terezinha em Joaçaba teve início em 1946, sob a presidência de Oscar Rodrigues da Nova
• Conclusão: Após várias paralisações por falta de recursos, a obra foi retomada em 1955 por Frei Edgar Löers e concluída dois anos depois
• Funcionamento: O hospital foi inaugurado oficialmente em 10 de fevereiro de 1957, com os atendimentos definitivos iniciando em 12 de fevereiro de 1957
• Gestão Universitária: Em 1º de dezembro de 2002 a Funoesc assumiu oficialmente a gestão do Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST), recebendo sua administração e integrando o serviço de saúde à formação prática dos estudantes de medicina.
Visando de fundar um hospital em Joaçaba aconteceu, em 21 de outubro de 1946, no Clube Dez de Maio, uma reunião convocada pelo Dr. Gilberto Evilásio da Luz, prefeito em exercício nomeado pelo Dr. Nereu Ramos, então Interventor Federal no Estado de Santa Catarina. O objetivo foi aprovado pelos participantes (sócios fundadores), sendo escolhida uma Diretoria “para constituir e dar início à obra social e filantrópica, de cuja falta se ressente a cidade”, como consta na ata de fundação do Hospital Santa Terezinha.
A construção custeada pelos próprios sócios, com ajuda de doações da comunidade, verbas federais, estaduais e municipais. O início surpreendeu, mas logo as obras pararam por falta de recursos. Frei Edgar assumiu a presidência e após concluir os dois primeiros pavimentos recorreu à Madre Superiora Provincial da Congregação das Irmãs Salvatorianas, pedindo o envio de irmãs religiosas para tomarem conta e iniciarem a limpeza e arrumação do hospital.
Lideradas pela Irmã Carmelita Leoni elas chegaram a Joaçaba em 24 de agosto de 1956 e receberam as chaves do hospital das mãos do vigário, que lhes disse: “Daqui em diante serão as donas do hospital, façam o que quiserem e como quiserem aqui dentro”, conforme documentado por Guilherme Deczka e Rafael N. Casado em 2006 na edição 03 de “Mais Joaçaba”.
Mais dados estão disponíveis no “Álbum do Cinquentenário de Joaçaba”, publicado em 1967 pela família Queiroz, e no “Livro do Centenário de Joaçaba”, que ajudei a confeccionar, publicado pela Unoesc em 2017.
As irmãs providenciaram a limpeza do espaço e arrumação, confecção das roupas, tanto para camas como também para o centro cirúrgico, compra e recebimento em doação de todos os utensílios para a cozinha. O hospital foi inaugurado com festa simples e missa campal e no mesmo mês de fevereiro de 1957 Frei Edgar realizou a primeira missa, em um altar improvisado, no espaço escolhido para ser a capela, onde acontece semanalmente a celebração, com participação de pacientes que se encontram em condições de se deslocar.

Hust, fases de construção, arquivos históricos
Os 80 anos da fundação do HUST foram comemorados no Santuário Catedral Santa Teresinha. Dom Frei Mário Marquez, Bispo da Diocese de Joaçaba, presidiu a celebração de Santa Missa e assim se expressou: “Neste jubileu, elevemos a Deus nossa ação de graças pelos 80 anos do Hospital Universitário Santa Terezinha. Que Nossa Senhora, Mãe da Vida e Consoladora dos que sofrem, acompanhe todos os que procuram neste hospital alívio para suas dores e renovação de suas esperanças.
Fazemos um especial reconhecimento a um visionário que fez, do cuidar da vida, servir ao próprio Cristo. O Vigário Paroquial Frei Edgar Löers, um alemão que transformou e modernizou Joaçaba, que soube olhar para além das necessidades imediatas de seu tempo. Com sensibilidade humana, espírito empreendedor e confiança na Divina Providência, percebeu que cuidar da saúde é também uma forma de evangelizar, servir e promover a dignidade humana.

Hust em 2006, Prédio único entrada pela Travessa Domingos F. Bonato
Ele compreendeu que a caridade cristã não poderia permanecer apenas nas palavras. Era necessário transformá-la em gestos, estruturas e iniciativas capazes de responder ao sofrimento das pessoas. Sua visão tornou-se semente que atravessa gerações, deixando marcas profundas na história da saúde e da comunidade regional, e outras obras que nos deixou por legado, como a construção da Igreja Matriz e do Colégio Cristo Rei (atual Colégio Girassol).”
E prosseguiu: “As grandes obras nascem quando a fé se transforma em compromisso e o amor serviço concreto; recordamos com gratidão a colaboração das Irmãs Salvatorianas, assistentes do hospital por muitos anos.
A presença das irmãs desde os primeiros tempos das atividades testemunha o valor da vida consagrada no serviço aos enfermos e na construção de uma assistência marcada pela dedicação, proximidade e espírito de doação.
A Palavra de Deus ilumina essa memória agradecida. No Evangelho Jesus se identifica com os pequenos, os pobres e os enfermos — estive doente e cuidastes de mim (Mt 25:36) — revelando a verdadeira identidade de toda instituição de saúde que se inspira nos valores cristãos: somos chamados a reconhecer o próprio Cristo no rosto de cada paciente.
A ciência e a tecnologia são indispensáveis, mas precisam caminhar lado a lado com a ética, a sensibilidade; com alegria prosseguir tirando água das fontes da salvação, isto é, sendo fontes de cuidado, acolhimento, competência profissional para cada um que chega fragilizado pela doença.
Um hospital, portanto, não é apenas um espaço de procedimentos médicos, exames e tratamentos. É também lugar de acolhida, esperança e encontro. Ali, muitas vezes, a ciência se une à compaixão, a competência profissional abraça a solidariedade e a fragilidade humana encontra mãos que sustentam e corações que consolam.

Hust hoje, vista da Av. Rio Branco – Foto: Divulgação / Reprodução
Festejar os 80 anos do HUST é reconhecer que Frei Edgar representa aquela capacidade de sonhar que nasce da fé e se concretiza no serviço, quando a intuição de um visionário se transforma em missão permanente, assumida por muitas mãos e muitos corações. A memória desses pioneiros e o trabalho de tantas gerações não podem permanecer apenas como lembranças honrosas, pois os verdadeiros visionários não são apenas aqueles que enxergam o futuro, mas os que começam, no tempo presente, a construir condições para esse futuro ser melhor para todos.”
Continuando sua prédica, Dom Mário ressaltou: “Naquele tempo, certamente havia desafios, limitações e muitas incertezas. Nossa homenagem e nosso agradecimento a todos os homens e mulheres que construíram e continuam construindo essa trajetória: médicos, enfermeiros, profissionais de todas as áreas; professores, estudantes, gestores, colaboradores, benfeitores voluntários, pois cada um, segundo sua responsabilidade, participa dessa missão de cuidar.
O profeta Isaías, no Salmo responsorial, proclama: “Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo.” Esta palavra ilumina a celebração dos 80 anos do HUST. A história de uma instituição dedicada à saúde é feita de tratamentos bem-sucedidos, conquistas e desafios, mas também de momentos de sofrimento, lágrimas e incertezas.
No Evangelho, Jesus nos adverte sobre a responsabilidade de quem recebeu uma missão e precisa permanecer fiel a ela. O Senhor afirma: o administrador fiel e prudente é aquele que cuida das pessoas que lhe foram confiadas — e dirige um convite especial: sejam administradores fiéis dos dons e das responsabilidades que receberam. E conclui que, a quem muito foi dado, muito será exigido. Esta palavra se aplica profundamente à história e à missão do HUST.
A história nos recorda que nenhuma grande obra permanece viva somente pela força de sua origem: ela precisa renovar continuamente sua fidelidade à missão que a inspirou, mantendo vivo o compromisso com a vida, sobretudo quando ela se encontra mais vulnerável.
Em todas essas circunstâncias, a confiança em Deus nos sustenta. O hospital não pode ser apenas um lugar de procedimentos técnicos. Deve ser também um espaço onde a pessoa enferma seja acolhida em sua dignidade, respeitada em sua história e tratada com humanidade.
A ciência e a tecnologia são indispensáveis. A evolução tecnológica, os avanços da medicina e as exigências da formação universitária abrem caminhos importantes. O paciente não é apenas um diagnóstico, um prontuário ou um leito ocupado. É uma pessoa, com nome, família, sentimentos, direitos e esperanças.
Oitenta anos de existência representam uma grande herança, mas também uma grande responsabilidade. A todos os que trabalham nesta instituição — médicos, enfermeiros, técnicos, professores, estudantes, colaboradores administrativos, equipes de apoio e profissionais de tantos outros serviços — o Evangelho dirige um convite especial: sejam administradores fiéis dos dons e das responsabilidades que receberam.
Que os próximos anos do nosso hospital sejam marcados pela mesma ousadia de seus pioneiros, pela excelência da ciência, pela força da solidariedade e pela ternura de Cristo, cfe. João 10:10 o Bom Pastor veio para que todos tenham vida em abundância”, concluiu o Bispo Diocesano.
A seguir houve o pronunciamento da administradora do HUST, Sra. Lindamir Secchi Gadler, e do diretor técnico Dr. Márcio Tomasi: “Entre o que fomos e o que somos hoje, muita coisa mudou. Os espaços, a medicina, os caminhos. Mas o cuidado permanece. É ele que atravessa gerações, aproxima histórias e mantém vivo o sentido de estar aqui: pessoas cuidando de pessoas.”
Eles prosseguiram com essas palavras: “Queremos expressar a nossa profunda gratidão, pois não estamos apenas comemorando uma data. Estamos celebrando uma história, construída ao longo desses por muitas mãos, muitos corações e muitas vidas. Há oitenta anos a fé inspirou um sonho. Um sonho que, alimentado pelo amor ao próximo, transformou-se em cuidado, acolhimento, esperança e serviço. Ao longo desse caminho o HUST esteve presente — nos momentos de alegria, de nascimento, de recuperação, mas também nos de dor, fragilidade e incerteza.
Temos agora a oportunidade de agradecer a todos aqueles que fizeram e fazem parte dessa caminhada: aos que deram início a essa edificação, aos que a conduziram ao longo dos anos, aos profissionais que dedicam seus conhecimentos e suas vidas ao cuidado; aos colaboradores de todos os setores, que trabalham muitas vezes de forma silenciosa, mas indispensável — e às famílias e à comunidade, que confiam em nosso trabalho.
Agradecimento especial a cada funcionário e a cada profissional do HUST. Um hospital não se faz apenas com paredes, equipamentos ou estruturas. Um hospital se faz com pessoas. Pessoas que acolhem, que escutam que se dedicam, que enfrentam desafios e que, mesmo nos dias mais difíceis, continuam acreditando que cuidar é uma forma concreta de amar.
O mesmo agradecimento é dispensado aos pacientes, que ensinam diariamente sobre coragem, perseverança e esperança. Cuidar de alguém é uma grande responsabilidade, mas também é um privilégio. Cada vida atendida faz recordar a grandeza dessa missão.

Hust hoje, vista pela Rua Salgado Filho / Travessa Domingos F. Bonato
É hora de elevarmos a Deus uma ação de graças — pela proteção, pela força e por todas as bênçãos recebidas ao longo desses oitenta anos, pedindo também que Ele continue iluminando os caminhos do HUST, fortalecendo todos os que ali trabalham e inspirando-os a servir sempre com competência, humanidade e compaixão.
Que Santa Teresinha do Menino Jesus, nossa padroeira, continue intercedendo por este hospital e por todos aqueles que nele encontram cuidado. Que o seu exemplo nos ensine a realizar as pequenas coisas com grande amor, reconhecendo que cada pequeno gesto de atenção pode transformar a vida de alguém. Que nunca nos falte fé para seguir, coragem para enfrentar os desafios e sensibilidade para lembrar que, por trás de cada atendimento, existe uma pessoa, uma família, uma história”, concluíram os responsáveis pelo HUST.
Cada um que passou pelo nosso hospital deixou um pouco da sua história e também levou consigo um gesto de atenção, uma palavra de conforto, uma mão estendida ou a esperança renovada. Permita Santa Teresinha que sempre tenhamos pessoas capazes de sonhar, coragem para inovar, sabedoria para administrar e generosidade para servir.
Por isso, cheios de alegria e gratidão a Deus pelos 80 anos de fundação do Hospital Universitário Santa Terezinha, nos unimos em oração:
• Pela Igreja e pela comunidade paroquial: Para que, inspirados pelo exemplo de caridade de Santa Teresinha do Menino Jesus, continuemos a ser promotores da vida, da saúde e do acolhimento aos mais necessitados da nossa região;
• Pela Direção e Gestores do HUST: Para que o Espírito Santo conceda sabedoria, discernimento e sensibilidade humana à diretoria e aos administradores do hospital, para que conduzam os projetos de expansão e modernização sempre voltados ao bem comum;
• Pelos Médicos, Enfermeiros e Profissionais de Saúde: Pelos mais de 1.000 colaboradores que dedicam diariamente suas vidas e conhecimentos técnicos ao HUST, para que nunca lhes falte a paciência, a força e o amor humanizado no atendimento a cada paciente;
• Pela Vocação Universitária e Estudantes: Pela parceria histórica com a Unoesc, pelos professores, residentes e estudantes de medicina e saúde; para que o HUST continue sendo um centro de excelência no ensino, moldando profissionais tecnicamente competentes e profundamente humanos;
• Pelos Enfermos e Pacientes: Por todos aqueles que hoje ocupam os leitos, o centro cirúrgico e o setor de oncologia do hospital; para que encontrem no ambiente hospitalar não apenas o remédio para o corpo, mas o alívio, o conforto e a esperança de Deus;
• Em Memória dos Pioneiros: Pelas gerações passadas, desde os idealizadores que lançaram a pedra fundamental em 1946 até os benfeitores e profissionais falecidos; para que Deus acolha na glória eterna todos os que ajudaram a erguer esses 80 anos de história.
Em uníssono, todos rogamos: Senhor, atendei as nossas preces!
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