29/01/2026 às 17:31
Cão Orelha – Foto: Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina
A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e da Delegacia de Proteção Animal (DPA) da Capital, cumpriu dois mandados de busca e apreensão de telefones celulares pertencentes a dois adolescentes investigados pelo crime de maus-tratos contra o cão Orelha.
Os jovens estavam fora do Brasil, mas, após monitoramento conjunto com a Polícia Federal, foi identificada a antecipação do voo, o que possibilitou o cumprimento das ordens judiciais. Ambos já foram intimados para prestar depoimento. A ação ainda contou com o apoio da Delegacia de Proteção ao Turista/Aeroporto (DPTUR) e da Polícia Militar de SC.
Os aparelhos apreendidos serão encaminhados à Polícia Científica para extração de dados, assim como os demais equipamentos recolhidos no dia 26 de janeiro. Também foi solicitada a emissão de laudo de corpo de delito do animal.
A investigação é conduzida pelos delegados Renan Balbino, da DEACLE, e Mardjoli Valcareggi, da DPA. Concluídas as diligências, o procedimento policial será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.
“Seguimos fazendo o trabalho de Polícia Civil, com o trabalho de investigação das nossas delegacias especializadas responsáveis por esse caso. Foi mais uma etapa desse trabalho feito em conjunto com policiais federais que atuam diretamente no aeroporto, garantindo a segurança de todos”, destacou o delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel.
Osvaldo Sagaz | Secom
Entenda o que aconteceu com o ‘cão Orelha’, morto por adolescentes em SC
O cachorro comunitário de Praia Brava, em Florianópolis, morreu depois de sofrer agressões no início do mês
O cão Orelha tinha cerca de 10 anos e teve de ser submetido a eutanásia em razão da gravidade dos ferimentos
O caso de maus-tratos contra o cão Orelha, de cerca de 10 anos, gerou comoção popular na última semana. O cachorro comunitário de Praia Brava, em Florianópolis, em Santa Catarina, morreu depois de ser agredido por um grupo de adolescentes. Na segunda-feira (26), por meio da Delegacia de Proteção Animal (DPA) e da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle), a Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos envolvidos e de seus responsáveis legais. Os agentes da corporação também fizeram buscas em endereços ligados a “adultos investigados por suposta coação relacionada ao andamento do processo”.
Após a operação, a Polícia Civil informou que identificou quatro adolescentes suspeitos de cometer as agressões e três familiares dos jovens que teriam coagido testemunhas. “Por meio do procedimento da DPA, ouvimos mais de 20 pessoas e analisamos mais de 72 horas de imagens de um total de 14 câmeras de monitoramento, sejam elas públicas ou privadas, apenas referentes ao fato do cão Orelha”, disse a delegada Mardjoli Valcareggi, responsável pelo caso.
Segundo a Polícia Civil, as agressões contra Orelha teriam ocorrido em 4 de janeiro. No dia seguinte, o cão foi levado para atendimento veterinário após moradores encontrá-lo ferido. De acordo com os exames periciais, o cachorro foi atingido na cabeça por um objeto sólido que não foi localizado. Em razão da gravidade dos machucados, o animal foi submetido a eutanásia. A corporação só foi comunicada sobre o caso no dia 16.
Além de Orelha, outro cão comunitário da região sofreu maus-tratos do grupo. Conforme informou Valcareggi, os adolescentes jogaram o cachorro chamado de Caramelo no mar. O animal conseguiu fugir e foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
Por meio de publicação nas redes sociais, a Associação de Praia Brava (APBrava) disse que Orelha “fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado de forma espontânea por pessoas da comunidade”. A entidade também declarou que o cão “se tornou um símbolo simples, porém afetivo, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais” que vivem na região.
Suspeitos nos Estados Unidos
Em entrevista a jornalistas nesta terça-feira (27), Ulisses Gabriel comunicou que, dos quatro adolescentes suspeitos, dois estão nos Estados Unidos em viagem “pré-programada”. O delegado-geral disse que os jovens devem retornar ao Brasil na próxima semana.
Por serem menores de 18 anos, a Polícia Civil de Santa Catarina não divulgou a identidade dos suspeitos. “É importante esclarecer que é vedada a divulgação de imagens, fotos e nomes dos adolescentes investigados. A responsabilização se dá perante a autoridade judicial, que vai, conforme as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, impor uma sanção penal a eventuais autores dessa prática delitiva”, explicou o delegado-geral.
/ Fonte: PMSC
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