12/09/2026 às 19:37
Granizo danificou lavouras no Planalto, Alto Uruguai, Oeste Catarinense e Noroeste gaúcho, mas o trigo sobrevivente ainda enfrenta um período crítico: chuva persistente, espigas molhadas e grande parte das plantas em floração aumentam o risco de giberela nos próximos dias.
O granizo entre quinta e sexta-feira danificou lavouras. Trigo, milho, aveia e tabaco ficaram expostos à chuva que superou 100 milímetros em pontos dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O impacto visível nas plantas é apenas a primeira preocupação. Com 39% do trigo em floração e 33% em enchimento de grãos, a permanência de espigas molhadas amplia o risco agronômico de giberela e dificulta inspeções, pulverizações e trânsito de máquinas.
Granizo encontra 72% do trigo em fases reprodutivas nos dois estados.
Em Braga, por exemplo, relatos preliminares indicam lavouras de trigo destruídas, enquanto Três Passos registrou danos também em milho, aveia e tabaco. O município acumulou cerca de 130 milímetros em poucas horas, e Seberi contabilizou aproximadamente 400 residências atingidas, dimensão que ajuda a mostrar a severidade localizada da tempestade. O estado catarinense não ficou atrás no volume de chuva, sendo que em muitas cidades foram bem superiores, como em Joaçaba, Capinzal, Campos Novos e região. A avaliação agrícola, porém, ainda está em andamento.
Previsão da umidade do solo vai até 14 de setembro de 2026. O momento fenológico aumenta a sensibilidade. Granizo pode quebrar colmos, remover folhas, ferir espigas e provocar acamamento. Em muitas áreas a perda dependerá do tamanho das pedras, duração do evento, cultivar e estágio de cada talhão.
Nas parcelas parcialmente preservadas, a manutenção de folhas e espigas funcionais será decisiva para completar o enchimento e conservar o peso dos grãos.
Espigas molhadas elevam atenção. A giberela não pode ser considerada instalada apenas porque choveu. Entretanto, o fungo encontra condições mais favoráveis quando o trigo está em floração, a temperatura permanece entre 20 °C e 25 °C e o molhamento contínuo das espigas supera 48 horas.
Chuva frequente, alta umidade e pouca radiação também prolongam a secagem do dossel e dificultam a entrada no campo.
A umidade relativa prevista para segunda-feira (14), às 16h, chega a 70% em Passo Fundo, 81% em Caxias do Sul e 80% no Meio-Oeste Catarinense.
O afastamento do sistema favorece redução da chuva no Rio Grande do Sul entre sábado, 12, e domingo, 13, enquanto a instabilidade se concentra mais sobre Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Isso abre oportunidade para iniciar levantamentos em Braga, Três Passos e Seberi, mas não garante suporte do solo nem secagem completa das espigas nas primeiras horas.
Decisões sobre manejo sanitário ou recuperação precisam de avaliação agronômica local, pois a janela adequada varia entre cultivares e estágios.
Diego Portalanza / Agrônomo
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