28/02/2026 às 17:04
Estudo aponta inconsistências do ChatGPT Health na avaliação de casos médicos urgentes (Fotos: Foto: Reprodução/ Olhar Digital)
Avaliação independente publicada na Nature Medicine revela que sistema pode subestimar riscos graves e comprometer a segurança do paciente.
A pesquisa alerta que a inteligência artificial pode atrasar diagnósticos críticos de asma e ideação suicida. O impacto direto é a criação de uma falsa sensação de segurança, evidenciando a urgência de protocolos rigorosos antes da adoção em larga escala na saúde pública.
Análise aponta riscos na identificação de quadros graves
Uma avaliação independente do ChatGPT Health revelou falhas preocupantes na identificação de emergências médicas e sinais de ideação suicida. O estudo concluiu que o sistema pode subestimar quadros clínicos graves, atrasar a busca por atendimento adequado e, em casos extremos, contribuir para mortes evitáveis. A pesquisa foi publicada nesta semana na revista Nature Medicine e analisou a eficiência da versão do ChatGPT voltada para consultas de saúde.
Metodologia e inconsistências nos resultados
Para testar a ferramenta, pesquisadores criaram 60 cenários clínicos realistas, variando de situações leves a emergências críticas. Três médicos avaliaram previamente cada caso para definir a conduta correta. Em seguida, os cenários foram submetidos ao sistema em diferentes variações, gerando cerca de mil respostas para comparação. Os dados revelaram os seguintes pontos:
Impacto na saúde mental e resposta da OpenAI
No âmbito da saúde mental, as respostas variaram de forma alarmante. Em casos de pensamentos suicidas, o ChatGPT Health apresentava alertas de crise ao ler apenas os sintomas. No entanto, ao incluir resultados laboratoriais normais no mesmo relato, os avisos de segurança deixaram de ser exibidos. Os autores alertam que a ferramenta pode gerar uma falsa sensação de segurança ou sobrecarregar desnecessariamente o sistema de saúde.
Em resposta ao jornal The Guardian, a OpenAI afirmou que apoia pesquisas independentes, mas declarou que o estudo "não necessariamente reflete o uso real da ferramenta no cotidiano". A empresa informou ainda que o modelo passa por atualizações constantes. Para os especialistas, o estudo evidencia a necessidade de maior transparência sobre o treinamento do sistema e a implementação de protocolos de segurança mais rigorosos.
Por Narciso Barone / Fonte: Olha Digital
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