09/06/2026 às 17:22
Até agora só os vereadores divulgaram valores
Embora o relatório final já esteja em construção e aponte inúmeros fatores que colaboraram para que os desvios de recursos públicos na prefeitura de Joaçaba tenham ocorrido, os três vereadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI da Prefeitura – deliberaram, em sessão realizada na tarde desta segunda-feira (08), pelo pedido de prorrogação de prazo de mais 60 dias para concluir as investigações. O requerimento da CPI ainda precisa ser apresentado em sessão ordinária da Câmara e ser votado.
Na mesma sessão, o grupo, composto pelos vereadores Diego Bairros (presidente), Jean Calza (relator) e Ricardo Menezes (membro), deliberou ainda pelo envio de ofícios a Procuradoria Geral do município e ao setor de Recursos Humanos. Para a Procuradoria, os vereadores questionam a existência de documentos que possam evidenciar que os desvios de recursos poderiam estar ocorrendo desde o ano de 2015, fato que chegou a ser citado na tribuna da Câmara pelo próprio procurador. Já ao setor de Recursos Humanos, os vereadores questionam, por exemplo, a responsabilidade de conferência de valores da conta salário dos servidores públicos, uma das fontes de onde se verifica o maior volume de transferências de contas da prefeitura para a conta pessoal do então tesoureiro investigado. As investigações em curso se concentram entre o período de 2017 a 2025.
CPI apurou desvios superiores a oito milhões
Inicialmente, em dezembro de 2025, quando Tribunal de Contas de Santa Catarina detectou a fraude, cogitava-se que os desvios chegassem a um milhão de reais. Tão logo a CPI foi instaurada na Câmara, em fevereiro de 2026, documentos mostravam que os valores desviados superavam 4 milhões de reais. Já um minucioso levantamento feito recentemente pelo relator Jean Calza comprovou desvios superiores a oito milhões de reais. Membros da CPI aguardam também documentos solicitados à Polícia Civil e ao próprio Tribunal de Contas. Alguns deles, relacionados a quebra de sigilo bancário do investigado. A próxima sessão da CPI está marcada para o dia 22 de junho.
A população quer saber:
- Por que ninguém da prefeitura divulgou o montante dos valores desviados?
- Se não fosse a CPI, ainda estaria se falando em dois milhões?
- Se a maioria das assinaturas dos desvios são em conjunto e os dois prefeitos negaram ter autorizado a liberação, quem fez isso? Pelo que se sabe o acusado não é também o gerente dos bancos?
- Ninguém nunca quis saber quanto a prefeitura tinha para receber naquele mês, naquela quinzena, como fazem a maioria das prefeituras?
- A CPI vai oferecer denúncia contra as pessoas que colocaram suas assinaturas nos documentos para que elas possam provar que não foram elas as responsáveis e punir os facilitadores?
- Existe um limite de tempo que possa ser investigado? Por que só de 2017 para cá?
Mário Serafin / Fonte: Adriana Panizzi, Assessoria de Imprensa da CMJ
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