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OPINIÃO

Tempo de semáforos ou tempo perdido?

01/11/2025 às 17:09

Nosso trânsito em Joaçaba é, há tempos, um teste de paciência. Filas, cruzamentos travados, sai de um semáforo, para no próximo imediatamente a frente — e a sensação de que falta algo básico: planejamento e tecnologia. Enquanto isso, a vizinha Luzerna surpreende: acaba de instalar o primeiro semáforo inteligente do Brasil, com tecnologia de inteligência artificial capaz de ajustar o tempo do sinal conforme o fluxo de veículos.

Não é ficção científica. O sistema, desenvolvido em parceria com empresas e com apoio do governo estadual, aprende o comportamento do tráfego e age em tempo real. Resultado? Menos tempo parado, menos poluição e mais segurança — benefícios que se espalham para pedestres, motociclistas, ciclistas, todos que compartilham a via. 

E nós, aqui ao lado, seguimos com promessas e estudos técnicos. Editais, levantamentos e diagnósticos aparecem, mas o trânsito continua o mesmo. E aí fica a dúvida inevitável: o que Luzerna tem que Joaçaba não tem?

Talvez não seja falta de recurso. Talvez falte prioridade. Em Luzerna, a inovação veio de vontade política e parcerias. Aqui, parece faltar a coragem de sair do “vamos estudar” e partir para o “vamos fazer”.

Semáforos inteligentes não são luxo. São símbolo de cidades que pensam à frente, que entendem que tempo perdido no trânsito é vida desperdiçada.

Então, fica o convite à reflexão: será que não está na hora de Joaçaba aprender com quem já fez? 

Se Luzerna, menor e com menos recursos, conseguiu inovar, o que impede Joaçaba? Talvez o problema não esteja no semáforo — mas em quem ainda não apertou o botão verde da modernidade.

Rodrigo Pedrini / Colunista