27/07/2026 às 18:28
Apesar do aumento dos recursos, o desafio para muitos produtores deixou de ser apenas a disponibilidade do crédito. (Fotos: Jcomp/Banco de imagens)
Especialistas alertam que a saúde financeira do produtor e o planejamento de longo prazo serão decisivos para aproveitar as novas linhas
O início da vigência do Plano Safra 2026/27 marca uma nova fase para o crédito rural no Brasil, com R$ 610 bilhões destinados ao financiamento do agronegócio. Do total, R$ 525,1 bilhões foram reservados à agricultura empresarial, com destaque para R$ 384 bilhões em custeio e comercialização e R$ 140 bilhões em investimentos.
Em relação ao ciclo anterior, a composição dos recursos mudou. O crédito para custeio perdeu espaço, enquanto as linhas voltadas à modernização das propriedades, como armazenagem, irrigação, inovação, tecnologia, máquinas e equipamentos, ganharam mais relevância dentro do programa.
Mesmo com mais dinheiro disponível, especialistas avaliam que o acesso ao crédito ficará mais seletivo. Taxas de juros, exigências de garantias, capacidade de pagamento, análise de risco e histórico financeiro passam a influenciar ainda mais a aprovação das operações.
Para Cleiby Kurak, diretor de Pesados da Âncora Consórcios, o novo cenário exige mudança de estratégia das empresas rurais. A orientação é preservar capital de giro, manter liquidez e usar o crédito oficial com foco nas necessidades mais imediatas da atividade.
A seletividade maior também reflete o avanço da inadimplência no campo. Levantamento da Serasa Experian mostra que 8,2% dos produtores rurais brasileiros encerraram 2025 inadimplentes, o que levou instituições financeiras a endurecerem os critérios para novas concessões.
Ao mesmo tempo, muitos produtores têm patrimônio consolidado e capacidade produtiva, mas enfrentam o descasamento entre receitas e despesas típico da atividade agropecuária. Com isso, parte dos recursos acaba sendo usada para manter a operação em funcionamento, adiando investimentos considerados estratégicos para o crescimento do negócio.
As restrições do mercado financeiro impulsionaram modalidades alternativas para aquisição de máquinas e equipamentos. Segundo a ABAC, o número de interessados em consórcios para máquinas agrícolas cresceu 149% entre 2020 e 2025, enquanto entre 2024 e 2025 houve alta de 7,7% no uso dessa opção por produtores rurais.
Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, caminhões, implementos agrícolas e máquinas de apoio operacional estão entre os itens mais buscados. A tendência mostra que o produtor tenta investir sem comprometer de forma excessiva o fluxo de caixa da propriedade.
Dados da Frente Parlamentar da Agropecuária indicam que as contratações das linhas de investimento do Plano Safra 2025/26 recuaram cerca de 20% em relação ao ciclo anterior. Quando se observa apenas a modernização das propriedades, a redução chega perto de 50%, evidenciando a prioridade dada ao financiamento da produção.
Diante desse cenário, a recomendação é combinar diferentes fontes de financiamento e construir um planejamento de longo prazo. Para produtores de todos os portes, a eficiência operacional e financeira será um dos principais fatores para garantir crescimento sustentável, aumento da produtividade e maior rentabilidade nas próximas safras.
Mário Serafin / Fonte: Portal do Agronegócio
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