28/04/2026 às 14:37
Saber o que acontece na política de outras regiões é importante para entendermos o cenário nacional. Por isso o Portal Cidadela traz uma entrevista com o Governador de Minas Gerais que tenta unir a direita no segundo maior colégio eleitoral do país e defende as candidaturas de Zema, Flávio e Caiado para evitar a vitória de Lula no primeiro turno. (Extraída da Revista Veja)
Desde o fim de março à frente do governo de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, Mateus Simões (PSD) tem menos de seis meses para convencer a maioria dos 16 milhões de votantes do estado a mantê-lo no cargo em outubro. Professor de direito por mais de vinte anos, entrou na política ao se eleger vereador em Belo Horizonte em 2016 e, em 2022, tornou-se vice na chapa de Romeu Zema (Novo), de quem herdou o cargo.
Simões ainda patina nas pesquisas, mas acha que pode unir a direita em torno de seu nome por já governar o estado. Para isso, tenta atrair pesos-pesados das urnas como o deputado Nikolas Ferreira (PL) e o favorito ao governo, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Nacionalmente, apoia o padrinho Zema, mas admite erguer um palanque triplo para comportar também o candidato de seu partido, Ronaldo Caiado, e o principal nome da direita, Flávio Bolsonaro (PL). Para ele, a pluralidade de nomes na corrida ao Planalto ajuda a levar a disputa ao segundo turno e a impedir que o presidente Lula consiga se reeleger. “Estamos defendendo a mesma coisa, que é derrotar o PT”, diz.
O senhor tenta a reeleição, mas está muito atrás na disputa, com menos de dois dígitos das intenções de voto. A que atribui isso?
Os vices não são muito percebidos até que entrem no cargo. Em julho, quando terei quatro meses de mandato, as pessoas vão entender quem é apoiado por Zema. Teremos um candidato da esquerda e a minha candidatura à direita. Não acho que teremos Cleitinho Azevedo nem alguém do PL na disputa. Para quem está no cargo, o importante é trabalhar. Isso torna a adesão natural.
O senhor vai transferir a capital provisoriamente para todas as regiões de Minas. A ideia é alavancar sua candidatura e de seus aliados?
É também uma forma de ter o governo presente, já que 76% da população está no interior. Estar no interior é estar onde Minas de fato acontece. Zema já passava dois a três dias fora de Belo Horizonte. Era muito importante dar para os prefeitos e para os deputados da base a certeza de que isso não mudaria. Então, decidi que passaria os primeiros 100 dias fora da capital, rodando pelas dezenove principais cidades. Já estou na sétima, Ouro Preto.
“É preciso ver o que vai acontecer com a candidatura de Flávio quando o PT passar a bater. Se perder força, Caiado e Zema serão importantes para segurar o eleitor de centro ou centro-direita”.
O presidenciável do PSD é Ronaldo Caiado, mas o senhor declara apoio a Zema e gostaria de contar com Flávio Bolsonaro. Articula um palanque triplo?
Gosto do Caiado, mas tenho um compromisso de lealdade com Zema, que me escolheu para ser vice e sucessor. Não tem motivo para eu não estar com ele. Caiado entende isso. Flávio é um pouco diferente. Tenho insistido com o PL que a gente pode ter um palanque duplo, com os senadores da chapa apoiando Flávio e eu apoiando Zema.
Nós estamos defendendo a mesma coisa, que é derrotar o PT. O senhor já conversou com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, sobre isso? Não há dúvidas entre nós. Ele gostaria de unificar as candidaturas Caiado e Zema. Não vejo dificuldade nisso.
A direita já governa Minas desde 2019, então faz sentido estarmos reunidos. Diferente do plano nacional, em que é importante manter a estratégia, que o próprio Jair Bolsonaro defendeu, de ter várias frentes para estrangular a possibilidade de a esquerda vencer no primeiro turno.
O seu PSD está bem dividido, caminhando com Lula em locais como Rio, Bahia e Amazonas. O que acha disso?
Passa um meridião na altura de Minas Gerais: para cima, o partido é de centro-esquerda, para baixo, é de centrodireita. O Rio de Janeiro está na linha. Eu sempre me coloquei como direita, mas o PSD cumpre um papel de amoldar à realidade local. Onde o centro tende à direita, ele será de centro-direita, onde tende à esquerda, será de centro-esquerda. Não me incomoda.
Só ficaria muito desconfortável se o candidato do PSD à Presidência fosse de centro-esquerda. Acha que Caiado vai levar mesmo até o fim a candidatura?
Não acho que ele deva retirar. Temos que esperar para ver o que vai acontecer com a candidatura de Flávio quando o PT passar a bater. Se perder força, Caiado e Zema serão importantes para segurar o eleitor de centro ou centro-direita moderado, para que ele tenha alternativas e não vote em Lula.
A única coisa que poderia levar a caminhar juntos nesse momento é a chance de vencer em primeiro turno. Só a consolidação de uma vitória tranquila de Flávio justificaria todos se unirem.
Em 2022, Zema foi reeleito no primeiro turno, mas Lula venceu em Minas. Isso pode se repetir em 2026?
Espero que não se repita e vou trabalhar para isso. O mineiro não quer a esquerda de jeito nenhum, tanto que ela não consegue nem ter candidato a governador e está tentando lançar um nome de centro, que é Rodrigo Pacheco (PSB). O mineiro não quer ouvir falar do PT desde que tiramos o petista Fernando Pimentel do governo em 2018. Mas Lula é um homem muito popular, inclusive em Minas. Ele começa a ter um desgaste na popularidade porque o Lula 3 é muito pior que o Lula 1 e o Lula 2. Minas já se libertou da esquerda e vem se libertando desse domínio da figura de Lula, que é um homem carismático e inteligente. Eu já estive com o presidente várias vezes e entendo os votos nele, só não concordo. Não acho que é o melhor para o Brasil.
Lula ainda tem condições de montar um palanque competitivo em Minas?
Pacheco foi o responsável pela derrota de Dilma Rousseff ao Senado em Minas Gerais (venceu a petista) e foi muito próximo de Jair Bolsonaro na primeira metade do governo. O mineiro chama Pacheco de traidor. Ele não veio votar nas últimas eleições por causa das vaias que recebe na rua. Teve que se apresentar a um novo público, que nunca votou nele. Pode ser que ele convença uma parte da população, mas não será grande. Ele vai conseguir esconder o Pimentel e a Dilma? Se o mineiro não se lembrar sozinho, as campanhas lembrarão a eles quem é o candidato de Pimentel e de Dilma.
Flávio Bolsonaro avança, mas ainda está empatado com Lula nas pesquisas. Ele tem condições de melhorar essa posição?
Numa eleição nacional de dois turnos, é importante ter só um turno em Minas, para que Lula não tenha um palanque aqui no segundo momento. Foi assim que garantimos um crescimento de mais de 1 milhão de votos para o Bolsonaro em 2022 entre o primeiro e o segundo turnos, com Zema já reeleito. Eu respeito 6 | 10ines249 muito o Flávio e acho que ele é um homem equilibrado, mais ameno do que os irmãos. Tem a confiança do pai e tem o meu respeito como senador.
Acho que Zema seria o melhor quadro, mas o Brasil estaria muito bem servido com Flávio Bolsonaro.
Por que a dívida de Minas com a União aumentou de 115 bilhões de reais para 183 bilhões de reais no governo Zema?
A dívida cresceu porque o governo federal é um agiota. Ele extorque os estados, cobrando juros muito maiores do que são capazes de pagar. Não pegamos nenhum centavo de dinheiro emprestado e, ainda assim, o saldo da dívida aumentou. Fizemos um acordo, o Propag, mas a União enrola para homologar nossa adesão e isso está me custando 100 milhões de reais por mês a mais do que deveria pagar. É uma vergonha. “A trava para privatizar é política e ideológica. A esquerda convenceu a população de que é bom ser dono de estatal. Para eles é bom mesmo, pois metem a mão e enchem os bolsos”.
Uma das bandeiras de Zema era o programa de privatizações, mas as vendas das “joias da coroa”, Copasa e Cemig, não andaram. Por que é tão difícil privatizar?
A trava que existe é política e ideológica. A esquerda convenceu a população de que é bom ser dono de estatal. Para eles, é bom mesmo, pois metem a mão e enchem os bolsos. Há no Brasil um erro de acreditar que ser dono de empresa pública garante vantagens ao público. A Cemig é uma das últimas empresas públicas de energia elétrica do Brasil, e, por isso, nós somos mais lentos para fazer investimento nesse setor. Uma estatal administrada por gente responsável só é lenta. Comandada por gente corrupta é um problema. As estatais federais deram 30 bilhões de reais em prejuízo no ano passado; as mineiras deram lucro de 11 bilhões de reais. Mas é preciso vendê-las porque o PT pode voltar em algum momento a transformar a empresa em cabide de emprego e lugar de desperdício.
O senhor criticou recentemente o Judiciário e o Tribunal de Contas por tomarem decisões contra sua gestão. Por que a beligerância entre instituições cresce no país?
No direito que eu estudei, e dei aula, o STF não se envolvia em assuntos políticos. Ministro não dava entrevista, hoje até tuíta. Falta noção de limite. Eu não admito que o Legislativo ou o Judiciário ou o Tribunal de Contas interfira na administração. Respeito muito o outro, desde que ele entenda bem o meu limite.
O que acha de o STF virar tema eleitoral?
Quem é tema de campanha são alguns ministros. Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes tratam adversários, coisa que nem deviam ter, como inimigos institucionais. Seria a mesma coisa de eu colocar a minha polícia em cima deles.
Gilmar disse outro dia que Zema deveria tomar cuidado porque já precisou muito do STF no passado. Ele vai revogar as decisões? Era decisão técnica ou troca de favores?
Quais ministros o senhor respeita?
O presidente do STF, Edson Fachin, fica calado sobre temas complexos, como todo juiz devia fazer. Cármen Lúcia, que é mineira, age da mesma forma. Ela é cuidadosa. Em compensação, eles têm colegas que vivem de falar, de arranjar dinheiro para amigos e parentes, andar em jatinho dos outros.
Sua briga com o Judiciário e o TCE foi por causa dos colégios cívico-militares. Por que acha eles importantes?
Importante é os pais poderem escolher. Temos 4 000 escolas, e minha proposta é que a comunidade possa decidir sobre esse modelo em 700 locais com vulnerabilidade, onde há tráfico, bandido entrando, professores ameaçados. Dados recentes mostram um aumento da presença de facções criminosas em Minas.
Por que o problema chegou a esse ponto e como pretende enfrentar isso?
Temos seis frentes de combate ao financiamento delas. Em Minas, não temos áreas de domínio de facção, onde a polícia não pode entrar, mas o crime organizado está cada vez mais presente. E já temos mais de 2 000 faccionados presos no estado, em presídios especializados. Continuaremos com operações estruturadas e temos aumentado a inteligência policial para impedir que eles entrem aqui, porque as nossas divisas com São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia são problemáticas. Em maio, formaremos mais 3 000 soldados da PM. Bandido não briga com a nossa polícia.
Mario Serafin / Fonte: Artigo da Revista Veja, por Pedro Jordão
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