08/10/2025 às 19:16
Joaçaba está parecendo a cidade das lombadas. Saio de casa e, em vez de contar passos, conto os “saltos” do carro no asfalto: aqui uma faixa elevada, acolá uma lombada, logo mais outra. Nos últimos anos, a Prefeitura anunciou e executou diversas implantações em ruas centrais e bairros, e o resultado é um coro de reclamações.
É verdade que a lombada tem seu lugar. Perto de escolas, em bairros residenciais, nas ruas em que crianças atravessam correndo, o dispositivo é um aliado. Ali, faz toda a diferença. Mas quando ela é espalhada sem critério pelas avenidas principais e pelas vias de alto fluxo, a consequência é conhecida: trânsito travado, transporte coletivo mais lento, aumento de consumo de combustível e até dificuldade para quem precisa chegar depressa em algum lugar.
Tenho um relato pessoal: quando fui vereador, chamei o Tenente-Coronel dos Bombeiros para falar na Tribuna Popular da Câmara de Vereadores sobre o assunto. Ele foi direto — as lombadas atrapalham muito o trabalho de socorro. Cada obstáculo no asfalto é um segundo a mais perdido em uma emergência e, em situações de vida ou morte, segundos fazem toda a diferença.
O trecho que liga Joaçaba a Luzerna é o exemplo mais citado. São tantas faixas elevadas e lombadas que a viagem virou uma sequência de solavancos. Uma verdadeira travessia galopante de cotoveladas asfálticas. Comerciantes reclamam, motoristas se irritam, e os serviços de urgência enfrentam uma estrada que mais parece um campo de obstáculos.
Não é que devamos “abolir” as lombadas. A questão é simples: instrumento bom, mal usado vira problema. Em bairros, protege. Em corredores de alto fluxo, estrangula. É hora de discutir alternativas técnicas: rotatórias bem planejadas, semáforos inteligentes, fiscalização eletrônica, estudos sérios de tráfego.
A cidade precisa de menos improviso e mais critério. Que se façam levantamentos de tráfego, estudos de acidentes e consultas aos serviços de emergência antes de encher o asfalto de ressaltos. Que haja transparência: informar a população onde e por que se instala uma lombada é parte do respeito ao cidadão.
Lombada é remédio, não sobremesa. Em pequenas doses, na hora certa, faz bem. Mas quando exageramos, o que era solução vira problema. Joaçaba precisa cuidar da mobilidade com o mesmo zelo que dedica à segurança. Só assim deixaremos de tropeçar, todos os dias, no asfalto do nosso imediatismo em instalar barreiras.
Rodrigo Pedrini / Colunista
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