20/08/2026 às 17:57
Estava eu, Mário Serafin, elaborando um artigo sobre os 109 anos de Joaçaba. Sem esperar, aparece um barulhinho no celular, com uma mensagem. Abro e me deparo com algo mais do que um informe, uma mensagem de um filho da terra. Nada menos que o conhecido Bolinha, quando não conhecido pelos seus discos e ligação com a cultura, o chamava de Bolinha do Banco do Brasil. Com bem disse o saudoso advogado Dr. Alexandre Muniz de Queiroz, no livro dos 50 anos dos Jogos Abertos. Para não cometer parcialidade sobre Joaçaba, uso um artigo publicado Mário Serafin, 5 anos antes do lançamento. Hoje faço o mesmo. Uso as sábias palavras de Antonio Carlos “Bolinha” Pereira, nascido em Joaçaba em 1950, ei-lo:
Prezados leitores, peço licença para falar do que Joaçaba representa em nossas vidas e recordar um pouco de História.
Na noite de 3 de junho de 1967, ano do cinqüentenário do Município, aconteceu no Clube Dez de Maio um concurso para escolha do Hino de Joaçaba. A comissão julgadora foi composta pelos maestros Luiz Fernando Coelho, de Curitiba, Roberto Kel, de Florianópolis, o prefeito Udilo Antonio Coppi, a professora Marina Rodrigues e Luiz Gonzaga Bonissoni (que havia sido presidente da Câmara de Vereadores de Capinzal nas décadas de 1940 e 1950 e foi o primeiro prefeito eleito no vizinho município de Ouro, cargo que ocupou de 1963 a 1969). O Hino enche de orgulho os corações dos joaçabenses; a letra foi escrita pelo saudoso poeta Miguel Russowsky e a música composta pelo Sr. Letefala Jacob (natural de Taubaté - SP e, na ocasião, funcionário do Banco do Brasil). A letra, em placa de bronze, está afixada na frente da Prefeitura.
De montanhas diadema
No Vale do Rio do Peixe
Minh’alma canta poemas
Risonhas safras em feixe
Que eu espalho de bom grado
Nos suaves sulcos do arado
Se as videiras são serenas
Nos verões fazendo abrigo
Nas primaveras amenas
Enfeito os morros de trigo
Nos outonos, nos invernos
Os meus lares são mais ternos
O meu nome é Joaçaba
Sou alegre e hospitaleira
Tenho amor que não se acaba
Desta terra brasileira
/: A quem vir morar comigo
Dou carinho e dou abrigo :/
(Hino de Joaçaba - letra: Miguel Russowsky - música: Letefala Jacob)
50 anos depois, o jovem maestro hervalense Luiz Fernando Spessatto compôs o jingle do nosso centenário: “Um pedacinho do Oeste que de mil encantos se veste, onde o sol vem se deitar melhor cantinho não há. Nesse vale de beleza, presente da natureza que o poeta inspirou e a arte aflorou, onde a vida te convida a viver, aqui é o melhor lugar pra crescer! Nossa gente hospitaleira, de raça, de fé, de força, guerreira. Joaçaba faz cem, Joaçaba faz bem. Viver Joaçaba é ser feliz também! 100 anos de história, de trabalho, união, na batida que emana do coração.”

“Joaçaba chega aos 109 anos com disposição revigorada, consolidada como uma cidade que se orgulha de sua história, que se transforma a cada novo dia com trabalho, planejamento e dedicação. Uma cidade que nasceu do trabalho de homens e mulheres visionários e hoje se destaca como referência em qualidade de vida, desenvolvimento e inovação em Santa Catarina”, afirma Carlos “Pido” Corrêa, repórter cinematográfico da NDTV Record.
É comum dizerem que Joaçaba está encolhendo, que é a terra do “já teve” ou do “lá tinha” e isso até tem um fundo de verdade, pois quando o município foi criado, com o nome de Cruzeiro, contava com uma área de 7.680 km², reduzida a apenas 243 km². Com o passar dos anos daqui se originaram 33 novos municípios, entre eles Catanduvas, Concórdia, Herval d’Oeste, Ibicaré, Ouro, Ponte Serrada, Treze Tilias, Videira, Água Doce — um dos maiores do Estado em extensão territorial. Vale lembrar que tanto Capinzal quanto Herval d’Oeste pertenciam na época a Campos Novos, pois estão localizados do outro lado, na margem esquerda do Rio do Peixe.
O Rio do Peixe nasce na Serra do Espigão, em Matos Costa, e beirando aquele município no sentido norte-sul junta-se ao Rio Pelotas para formar o Rio Uruguai. Privilégio de poucas cidades, temos um rio genuinamente local: o Rio do Tigre tem a nascente e a foz em nosso município, com o ponto inicial do curso d'água no distrito de Nova Petrópolis, serpenteando pela mata e pelo centro até desaguar no Rio do Peixe.
A colonização de Joaçaba principiou no início do século passado, quando descendentes de italianos e alemães descendentes dos colonizadores gaúchos, esses trabalhadores incansáveis a quem devemos o desenvolvimento dessa cidade próspera. As rodovias eram precárias e a ferrovia impulsionou o progresso em toda a região Oeste de Santa Catarina, sua importância foi decisiva para transportar as pessoas e a riqueza produzida na região, promovendo o escoamento da produção e o abastecimento dos colonizadores.

Até 1930 a ligação entre Joaçaba e Herval d’Oeste era feita por balsa, e por ordem do Presidente da República Washington Luiz foi construída sobre o Rio do Peixe a ponte Emílio Baumgart, a maior do mundo em viga reta de concreto armado, técnica estudada até hoje por alunos de engenharia, e foi levada pela enchente devastadora de 1983.
A economia viveu fases distintas: na década de 1950 éramos destaque nacional na produção de trigo; o setor madeireiro impulsionou o crescimento, as máquinas agrícolas e a fundição consolidaram o prestígio de Joaçaba, hoje uma cidade universitária e polo regional na área médica. Embora a população seja essencialmente urbana, a agropecuária contribui na suinocultura, avicultura e bovinocultura e nas culturas de milho, soja, feijão, fumo, verduras, vegetais, etc.
Diversificação profissional, centro de atividades econômicas, serviços, comércio e cultura, numa região com mais de 300 mil habitantes. A Capital Catarinense do Carnaval oferece variadas opções gastronômicas, boas escolas, ensino superior reconhecido, excelentes serviços médico-hospitalares, arranha-céus que justificam o epíteto de “a menor metrópole do Brasil”.
Quando fui convidado a presidir a Comissão do Centenário de Joaçaba, contei com pessoas dispostas a colaborar para oferecermos a melhor comemoração possível e, diante das dificuldades crescentes, concentramos esforços em um ambicioso legado: “perenizar a nossa História em um livro, a maneira encontrada para demonstrar o profundo amor que temos a esse bendito pedaço da terra catarinense”, como já havia se referido o Dr. Alexandre Muniz de Queiroz, responsável pela publicação, em 1967, do Álbum do Cinquentenário.
Graças ao empenho pessoal de dois mestres — Antônio Diomário de Queiroz, Presidente de Honra da Comissão do Centenário e Aristides Cimadon, à época Magnífico Reitor da Unoesc, que cumpriu sua promessa e a Editora da Unoesc entregou à comunidade cinco mil exemplares do Livro do Centenário de Joaçaba, o qual retrata de maneira muito competente e fiel vários segmentos.
Dois filhos do “Velho” Queiroz contribuíram sobremaneira. O historiador Enéas Jeremias de Queiroz, ao longo de dezenove páginas, resgata a história pré-catarinense de Joaçaba, lembrando que até o final de 1943 o nome do município era Cruzeiro. Antônio Diomário de Queiroz destaca o pioneirismo industrial, mostra sua verve poética, esclarecendo que o critério seguido foi o de registrar a memória do passado e presente do Município, ressaltando os desafios para um futuro melhor.
Os textos do livro são riquíssimos em detalhes, uma inesquecível viagem ao passado, mostrando que Joaçaba inaugurava em 1949 o primeiro aeroporto do interior catarinense e em 1965 o segundo autódromo do país, esportes e os JASC, uma cidade pioneira e de vanguarda à sua época, que tinha cinemas desde a década de 1930 e nos anos 60 o maior e melhor cinema do estado, o Cine Vitória, com 1.500 poltronas estofadas, um luxo!
Tem mais: a Romaria de Frei Bruno, o Santuário Catedral de Santa Terezinha — obra do saudoso Frei Edgar Löers, um “ilustre joaçabense” nascido na Alemanha em 1901, ordenado sacerdote em 1926 e Vigário de Joaçaba entre janeiro de 1946 e janeiro de 1962. Quando ele veio a Igreja Matriz era uma construção em madeira de pinho, atrás do local onde hoje existe o Hospital Santa Terezinha, outra obra dele, assim como o Grupo Escolar de Nova Petrópolis e o Colégio Cristo Rei, obras deste sacerdote/ projetista/ construtor, que fez, ele mesmo, o piso de mármore artificial, as pinturas, os capitéis, os ornamentos e o revestimento do altar.
O Teatro Alfredo Sigwalt impressiona pela sua imponente arquitetura e é o orgulho da cidade: acústica perfeita e excelente acabamento interno, recebe o louvor dos visitantes e elogios dos artistas que nele se apresentam. Hoje o teatro é uma casa viva de cultura, concretizando o sonho de nosso saudoso maestro. Com diversas oficinas culturais em atividade a SCAJHO atende centenas de alunos a cada ano, promove ótimos espetáculos e contribui de forma significativa para a transformação positiva da sociedade.

Celebrar os 109 anos de Joaçaba é reconhecer a trajetória de um município que ajudou a construir a história do Meio-Oeste Catarinense. Mais do que recordar fatos, datas e personagens, é preciso preservar a memória daqueles que, com trabalho, coragem e espírito comunitário, transformaram uma pequena localidade em uma cidade que se tornou referência em educação, cultura, empreendedorismo e qualidade de vida.
Que esta data seja, acima de tudo, um convite para valorizarmos as nossas raízes e fortalecermos o sentimento de pertencimento. Afinal, as cidades são feitas pelas pessoas e pelas histórias que elas deixam como legado. Parabéns, Joaçaba, pelos seus 109 anos. Que o futuro seja tão grandioso quanto o passado e que as próximas gerações continuem escrevendo, com orgulho, novos capítulos dessa terra tão querida.

O tempo passa e confirma: Joaçaba segue seu destino de bem receber, bem acolher. Ao invés de continuar escrevendo, vou lhe convidar: venha visitar Joaçaba e Herval d’Oeste, olhe ao seu redor e contemple: parece que as cidades nos abraçam! Seus morros simbolicamente nos envolvem e protegem — e lá do alto o Santo Local, o Bem-Aventurado Frei Bruno, parece concordar: é bom morar aqui, viver nessa Terrinha abençoada, de povo hospitaleiro e amigo.
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JOAÇABA, 109 ANOS, por Antonio Carlos “Bolinha” Pereira, nascido em Joaçaba em 1950
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