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SAÚDE

Inverno reduz estoques de sangue em Santa Catarina

23/06/2026 às 21:30

No Junho Vermelho, instituições associadas à AHESC e à FHESC destacam a importância da ação voluntária para a continuidade dos tratamentos pelo SUS

O inverno é o período mais crítico para os estoques de sangue em Santa Catarina. O aumento das doenças respiratórias reduz o número de pessoas aptas a doar, enquanto o frio afasta parte dos doadores regulares, porém a demanda por transfusões permanece constante. Pacientes em tratamento oncológico, cirurgias de alta complexidade e atendimentos de urgência dependem diariamente de hemocomponentes, independentemente da sazonalidade.

É nesse cenário que o Junho Vermelho, campanha nacional de incentivo à doação voluntária de sangue, ganha força todos os anos, concentrando esforços de conscientização no período em que os hemocentros mais precisam de reforço. Em Santa Catarina, o HEMOSC disponibiliza em seu site a situação atualizada dos estoques por tipo sanguíneo, permitindo que a população acompanhe quais tipagens exigem atenção imediata e agende a doação diretamente pela plataforma.

No Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST), em Joaçaba, são realizadas entre 430 e 500 transfusões por mês, número que pode crescer significativamente em períodos de maior demanda, como ocorreu em maio, quando o hospital registrou 601 transfusões. A oncologia, a clínica médica e a UTI adulta concentram o maior consumo de hemocomponentes na instituição, que mantém agência transfusional própria e trabalha em parceria com o HEMOSC para monitorar estoques e priorizar casos de maior urgência clínica.

Segundo a direção do hospital, o sangue tipo O negativo recebe atenção especial por ser considerado doador universal, sendo amplamente utilizado em situações de emergência quando não há tempo hábil para determinar a tipagem sanguínea do paciente. As plaquetas, por sua vez, têm validade de apenas quatro dias e também exigem monitoramento constante por parte da equipe responsável pelo abastecimento.

Já o Hospital São Francisco, em Concórdia, registrou 3.432 transfusões em 2025, média de 286 por mês, direcionadas principalmente no centro cirúrgico, no pronto-socorro e no serviço de emergência. A instituição mantém banco de sangue e agência transfusional própria e busca ampliar o número de doadores por meio de parcerias com empresas da região, que organizam ações de doação entre seus colaboradores. Segundo o hospital, os períodos de férias escolares, sobretudo em dezembro, e os meses de inverno, julho e agosto, são os mais críticos para a manutenção dos estoques.

Para a presidente da Federação de Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina (FHESC), irmã Neusa Lúcio Luiz, a queda de doações no inverno destaca a necessidade de ações permanentes de conscientização. “O Junho Vermelho chama atenção para um problema que não é apenas sazonal, mas estrutural. Os hospitais filantrópicos sentem diretamente o efeito da queda nos estoques e por isso trabalham todos os dias para manter viva a cultura da doação voluntária”, afirma.

“Cada transfusão realizada nos hospitais da rede representa um tratamento oncológico, uma cirurgia ou um atendimento de urgência que só é possível porque alguém doou sangue antes”, afirma Maurício José Souto-Maior, presidente da Associação dos Hospitais do Estado de Santa Catarina (AHESC). Segundo ele, fortalecer essa cultura de doação significa também fortalecer a capacidade de resposta do SUS em Santa Catarina.

Mário Serafin / Fonte: AHESC e FHESC