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ARTIGO

HISTÓRIA SEM HISTERIA Por Jaime Telles*

05/08/2026 às 02:16

Vestígios do passado constituem a memória coletiva de um povo e ajudam a explicar quem somos. Quem sabe possamos seguir o exemplo de países como Itália, França, Portugal, Reino Unido e Japão, onde o patrimônio histórico é compreendido como um ativo nacional capaz de fortalecer a identidade, atrair turismo, movimentar a economia, estimular a educação e consolidar o sentimento de pertencimento das novas gerações.

Nesses países, monumentos, centros históricos, museus, bibliotecas e tradições populares integram o cotidiano, a educação, o planejamento urbano e as políticas públicas. A população aprende, desde cedo, a reconhecer o valor do patrimônio que herdou e a responsabilidade de transmiti-lo.

Entre nós, a impressão recorrente é de que esse patrimônio ocupa um lugar periférico nas prioridades nacionais. Em muitos casos, só percebemos o valor de um bem quando o perdemos.

Benditos sejam os governos que se empenham em fortalecer as instituições cuja missão é preservar, pesquisar e difundir nossa história. Institutos Históricos e Geográficos, universidades, museus, arquivos públicos, fundações culturais, academias e centros de memória precisam ser reconhecidos como estratégicos para a formação da consciência histórica, da produção do conhecimento e do fortalecimento da identidade nacional.

A grande batalha é superar nossa cultura imediatista. O entusiasmo costuma voltar-se para o novo, enquanto dedicamos pouca atenção à conservação daquilo que já possuímos. Quem preserva transmite. Nossa ingenuidade histórica faz parecer mais simples demolir do que restaurar, substituir do que conservar, esquecer do que ensinar. Assim, desperdiçamos oportunidades de desenvolvimento, de fortalecimento do turismo, da economia criativa e, sobretudo, de construção de uma cidadania mais consciente de suas raízes.

Encerrado o período eleitoral, é desejável que esse tema ganhe espaço nos planos de governo e que as próximas administrações queiram e saibam transformar a preservação do patrimônio histórico e cultural em verdadeira política de Estado, com planejamento, recursos, continuidade e participação da sociedade.

O Brasil possui uma riqueza histórica, arquitetônica, cultural e arqueológica extraordinária. O que ainda nos falta é compreender que preservar é olhar para a frente sem perder de vista o retrovisor. É assumir o compromisso de legar às próximas gerações um país que conheça, respeite e valorize sua história, transformando-a em um valioso ativo cultural, educacional e turístico.

Entre os grandes diferenciais do Estado de Santa Catarina destaca-se o privilégio de reunir etnias que preservam vigorosamente suas tradições. Essa herança se reflete no modus vivendi, na organização comunitária, no respeito ao espaço coletivo e no dinamismo econômico. A cultura funciona como uma proteção permanente da memória e da identidade de um povo.

Muito mais do que um gesto de reverência ao passado, preservar é um investimento no futuro.

Nações verdadeiramente desenvolvidas são aquelas que constroem o novo sem abandonar aquilo que as tornou quem são.

Sonhemos e ajamos, pois.

*Membro e Orador do Instituto Histórico e Geográfico do Oeste Catarinense – IHGO e da Sociedade de Cultura Artística de Joaçaba e Herval d´Oeste – SCAJHO.

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