24/10/2026 às 04:02
A chuva prevista para 24 e 25 de outubro renova a preocupação com cevada e trigo no Rio Grande do Sul, especialmente no acompanhamento das lavouras do Planalto Médio, do Noroeste e do Norte gaúcho. A área estadual de cevada soma 21.591 hectares, e parte dos lotes já enfrenta restrições para malteação.
O problema chega à propriedade antes da entrega: grãos com germinação insuficiente, tamanho inadequado ou comprometimento sanitário podem perder o destino industrial esperado. Nas lavouras maduras, a prioridade é combinar colheita, capacidade de secagem e classificação. A produtividade, isoladamente, não assegura o aproveitamento pela cadeia cervejeira.
A aproximação e a passagem de uma baixa pressão devem aumentar a nebulosidade e provocar chuva na maioria das regiões gaúchas no sábado, 24, e no domingo, 25. No Planalto Médio, no Noroeste e no Norte, o planejamento precisa considerar também rajadas pontuais e condições de acesso às lavouras. A sequência pode interromper operações e prolongar a permanência das espigas maduras no campo.
A previsão indica acumulados predominantemente entre 0 e 50 mm para 22 a 28 de outubro, intervalo mais amplo que o fim de semana. Esse total não deve ser aplicado uniformemente aos talhões. Para a cevada em maturação, importa também a repetição do molhamento e o tempo disponível para secagem; no trigo, cuja colheita estadual alcançou 19%, novas interrupções podem ampliar a exposição dos grãos.
No Planalto Médio, rendimento não garante destino cervejeiro
A atualização agrícola registra cevada predominantemente em fase reprodutiva, com áreas maduras e colheita no Planalto Médio. A produtividade estadual estimada é de 3.114 kg/ha, frente aos 3.020 kg/ha inicialmente esperados. Mesmo assim, parte dos lotes foi desclassificada em avaliações prévias.
No Norte, no Noroeste e no Planalto Médio, cada entrega exige análise própria: a situação estadual não significa rejeição generalizada.
A malteação depende de grãos vivos, capazes de germinar de maneira adequada. A exposição à chuva na colheita pode comprometer essa capacidade. O levantamento também relata tamanho dos grãos abaixo do desejado e problemas com desoxinivalenol (DON), micotoxina associada a fungos do gênero Fusarium.

Grãos de cevada precisam atender aos padrões de germinação, tamanho e sanidade para serem destinados à produção de malte.
Sem resultados por lote, não é possível quantificar a contaminação regional. A perda potencial está na aptidão da matéria-prima; avaliar sua destinação exige classificação e controle sanitário.
Trégua de 26 a 28 pode favorecer colheita e secagem
Na segunda-feira, 26, a previsão indica chuva restrita ao Nordeste gaúcho e maior estabilidade nas demais regiões. Entre terça, 27, e quarta, 28, não há previsão de precipitação significativa na maior parte do estado. No Planalto Médio, no Norte e no Noroeste, essa mudança poderá favorecer operações, desde que o solo suporte máquinas e os grãos atinjam condição adequada. A ausência de chuva não significa secagem imediata das espigas.
As indicações técnicas recomendam colher em dias secos e, preferencialmente, com umidade dos grãos abaixo de 15%. Evitar grãos verdes e regular a colhedora ajuda a preservar integridade e germinação.
A secagem deve acompanhar a retirada do campo sem demora, com temperatura ajustada à umidade inicial e ao destino contratado. A avaliação agronômica local deve orientar a sequência de talhões e a retomada do maquinário.
Por Diego Portalanza / METEORED tempo.com
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