27/02/2026 às 02:58
Foto: Luhan Ferreira dos Anjos / CBMSC
A parceria entre o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e o Samu/SES, por meio do Batalhão de Operações Aéreas (BOA), celebrou uma marca histórica para a saúde pública da região de Joaçaba: a 4ª Companhia do BOA/CBMSC, sediada no Aeroporto Santa Terezinha, completou 1.000 horas de voo. O número consolida a base de Joaçaba como um pilar indispensável na rede de urgência e emergência, garantindo que pacientes do Meio-Oeste e Extremo-Oeste tenham acesso rápido a centros de referência em todo o estado.
O número representa mais do que o tempo acumulado no céu catarinense. São horas convertidas em agilidade, decisões críticas tomadas em minutos e centenas de vidas assistidas com suporte avançado. Desde a inauguração, em abril de 2024, a presença da aeronave Arcanjo 04 do CBMSC transformou a resposta a ocorrências de alta complexidade na região.
Da inauguração à consolidação operacional
A base foi oficialmente inaugurada em 10 de abril de 2024, no Aeroporto Santa Terezinha, num esforço histórico do Governo do Estado, ampliando a cobertura aérea e interiorizando o serviço aeromédico. A implantação da estrutura em Joaçaba reduziu distâncias históricas entre pacientes críticos e hospitais de referência.
Com a operação do avião Arcanjo 04, modelo Cessna Grand Caravan, o CBMSC passou a atender de forma mais célere municípios do Meio-Oeste, Planalto Serrano e Extremo Oeste, encurtando trajetos que por via terrestre poderiam ultrapassar 8 ou 10 horas. A eficiência operacional da unidade é comprovada pelo índice de 96,4% de missões cumpridas com sucesso, demonstrando a alta confiabilidade do serviço na região.
Desde a criação, os municípios mais atendidos, por meio de seus aeroportos, incluem Joaçaba, Videira, Caçador, Lages, Chapecó, Xanxerê e São Miguel do Oeste. A média é de 2,8 horas de voo por ocorrência. 641 pessoas já foram transportadas, entre pacientes e acompanhantes. Ao longo deste período, a base já acumulou marcos operacionais expressivos e consolidou uma média consistente de horas voadas por ocorrência – reflexo da complexidade dos atendimentos. Um diferencial marcante da operação em Joaçaba é a humanização: em 71,7% das missões, o paciente pôde contar com a presença de um acompanhante durante o voo.
Tempo-resposta que faz a diferença
O transporte aeromédico é decisivo quando o fator tempo é determinante para a sobrevida ou para a redução de sequelas. A aeronave permite:
Para garantir a segurança desses pacientes vulneráveis, a base já utilizou incubadoras em 89 ocasiões e dispositivos “bebê conforto” em outras 30 missões, funcionando como uma UTI aérea especializada para o início da vida.
Estrutura integrada com o Samu Aeromédico
A atuação do CBMSC/BOA ocorre em parceria com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), por meio da Secretaria de Estado da Saúde, em um modelo consolidado há mais de uma década em Santa Catarina. Hoje, o serviço aeromédico catarinense opera com cinco aeronaves – aviões e helicópteros – distribuídas estrategicamente pelo Estado, garantindo capilaridade e eficiência operacional.
Dia do Piloto de Helicóptero: reconhecimento a quem está nos céus
A marca das 1.000 horas também ganha simbolismo ao se aproximar das celebrações do Dia do Piloto de Helicóptero, data que homenageia profissionais que atuam nas operações aéreas de resgate e salvamento.
Embora a base de Joaçaba opere com aeronave de asa fixa, o Batalhão de Operações Aéreas do CBMSC integra pilotos de avião e helicóptero em uma mesma doutrina operacional, marcada por treinamento rigoroso, tomada de decisão sob pressão e compromisso absoluto com a vida.
São profissionais que enfrentam condições meteorológicas adversas, voos noturnos e pousos em aeroportos regionais ou áreas restritas, sempre com foco na segurança da tripulação e do paciente.
Um marco que projeta o futuro
A superação da marca de 1.001,4 horas de voo em Joaçaba reafirma o papel estratégico da 4ª Companhia na malha aeromédica catarinense. O número simboliza maturidade operacional, integração entre bombeiros militares e equipes médicas, e consolidação de uma política pública que aproxima o atendimento especializado de quem mais precisa. Mais do que um indicador estatístico, são mais de mil horas dedicadas a reduzir o tempo entre o risco e o cuidado – entre a urgência e a esperança.
Para o capitão Daldrian Scarabelot, que atua na região, o marco reflete a natureza ininterrupta do trabalho do Batalhão. “Cada missão é a reafirmação do nosso compromisso com a sociedade catarinense. Quando não estamos em voo, estamos em resgate; atendemos ocorrências por terra ou pelo ar, garantindo que o socorro nunca pare. É um serviço que se consolida cada vez mais como um braço essencial para os municípios do Meio-Oeste e Oeste, transformando essas mil horas de operação em centenas de segundas chances para quem mais precisa”, concluiu.
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