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Quiproquó

Advogada e candidata a suplente no Senado é agredida pela PM durante ocorrência em SC

14/09/2026 às 01:20

Candidata foi derrubada, chutada e atingida por disparos de bala de borracha; PM diz que três pessoas foram conduzidas e que caso será apurado pela Corregedoria.

Uma ocorrência envolvendo a Polícia Militar, uma advogada e outras pessoas mobilizou autoridades e entidades neste final de semana em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina. A advogada/candidata a suplente ao Senado esteve envolvida na ocorrência, que também gerou manifestações da OAB, do Partido dela e do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC). A ação foi registrada em vídeo.

Segundo a Polícia Militar, a guarnição foi acionada por volta das 20h15 de sábado, dia 12, para atender uma ocorrência de perturbação do sossego e ameaça. Conforme o registro policial, uma mulher relatou ter sido ameaçada após pedir a redução do volume do som de um veículo estacionado em frente à residência. Ainda segundo o relato apresentado à PM, o barulho teria provocado intensa agitação em seu filho, que possui transtorno do espectro autista (TEA).

A mulher informou aos policiais que, após questionar o volume do som, um homem teria adotado comportamento agressivo e avançado em sua direção, fazendo com que ela retornasse para dentro da residência.

A partir das informações recebidas, os policiais localizaram o homem indicado pela solicitante em uma residência nas proximidades. Segundo a PM, na abordagem ele teria resistido às determinações da equipe e proferido ofensas contra os policiais, recebendo voz de prisão.

A advogada teria se apresentado como defensora do motorista para orientá-lo sobre o caso quando as agressões ocorreram. Imagens mostraram a mulher sendo derrubada, chutada e atingida por tiros de bala de borracha.

Após ser imobilizada, a advogada foi levada para a delegacia com outros envolvidos e liberada. A PM disse que a policial militar sofreu uma lesão na mão e posteriormente recebeu atendimento médico.

O que diz a OAB

A Subseção da OAB de Jaraguá do Sul informou que acompanha o caso desde os primeiros momentos e presta apoio institucional à advogada, mantendo contato com o Sistema Estadual de Defesa das Prerrogativas da OAB/SC.

Em nota, a entidade afirmou que nenhuma circunstância pode legitimar desrespeito à lei ou condutas marcadas por truculência, abuso ou excesso. Ao mesmo tempo, destacou que conclusões precipitadas sobre qualquer pessoa envolvida não contribuem para o esclarecimento dos fatos.

A OAB também afirmou que eventuais excessos ou abusos praticados por agentes públicos devem ser investigados, com individualização das condutas e responsabilidades, assegurando a todos o direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal.

Partido fala em violência política

A presidência nacional do partido também se manifestou sobre o episódio e classificou o caso como violência política contra candidata.

Segundo o partido, imagens e relatos indicam que a advogada foi derrubada, agredida e atingida por disparos de bala de borracha enquanto acompanhava a abordagem policial no exercício de sua prerrogativa profissional.

O partido defendeu uma apuração rigorosa, célere e transparente de toda a ocorrência, inclusive para esclarecer se houve motivação ou tratamento de natureza política.

Caso apurado pela Corregedoria

A Polícia Militar informou que os fatos foram registrados e que o emprego da força na ocorrência será submetido aos procedimentos institucionais de análise e controle.

A corporação também afirmou que, diante da complexidade da ocorrência e da necessidade do emprego da força, o caso será integralmente apurado pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina, que deverá analisar as circunstâncias da ocorrência e a atuação dos policiais.

TRE-SC acompanha o caso

O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) informou neste domingo, dia 13, que acompanha os desdobramentos do episódio.

Em nota oficial, o tribunal afirmou confiar na célere e transparente apuração dos fatos pelas autoridades competentes e reforçou o compromisso com um processo eleitoral seguro, pacífico e inclusivo.

O TRE-SC também destacou a importância do diálogo, do respeito às leis e da preservação dos direitos fundamentais no processo democrático.

A apuração deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem, a atuação dos envolvidos e eventual responsabilidade individual pelas condutas ocorridas durante a ocorrência.

Cenas x Vídeo

O vídeo que foi apresentado pelos acusados e que acusam de ser vítimas da PM não será mostrado, nem nomes dos abordados, dos policiais e também da pessoa denunciante até a apuração dos fatos. O vídeo tem um início quando a policial tenta prender a acusada/vítima por uma policial mulher que não conseguindo recebe apoio de outro policial masculino que disparou e empurrou para que se efetuasse a prisão.

Análise: Mostrado as cenas a um advogado no domingo, em análise, sem saber quem eram as pessoas, disse: “não é possível acusar nem a PM, nem a pessoa, já que o vídeo tinha um início com nítido favorecimento, mas que a ação policial parece ter sido truculenta que só se justificará caso tenham as câmeras corporais que justifiquem a ação. A apresentação deve mostrar desde o início dos fatos”. – Mantido o sigilo da fonte e do vídeo por não mostrar a origem -.

Fontes: / PM, Registro na PC, Imprensa, TRE, partido político