27/12/2025 às 18:38
CARTA ABERTA AOS DEPUTADOS ESTADUAIS
Assunto: Santa Catarina continua sem um hino que a represente.
Senhores parlamentares,
Dirijo-me respeitosamente aos dignos representantes do Poder Legislativo do Estado de Santa Catarina movido por um dever cívico que já não pode ser adiado: a necessidade de substituir, com maturidade e responsabilidade histórica, o Hino Oficial do Estado.
Um hino é, antes de tudo, afirmação de identidade. Não há identidade sem nome, sem território e sem pertencimento. Ao falhar como símbolo oficial, por si ele desdiz aquilo que pretende representar, ele falha em sua função essencial.
Esta não é uma provocação vazia. Trata-se de uma constatação objetiva: o atual Hino não trata sobre o Estado de Santa Catarina. Não contém, sequer, uma vírgula alusiva a ele. Então a pergunta é inevitável: Como pode representá-lo?
A obra vigente não menciona o Estado, nem seu povo, sua formação histórica, sua diversidade cultural, territorial ou social. Não há, em toda a letra, qualquer elemento que identifique Santa Catarina como objeto da exaltação simbólica. Embora muitos defendam que o texto refere-se à então recente Proclamação da República, seu tema central é a abolição da escravatura — conquista nacional, honrosa e incontestável, mas que, a exemplo da Proclamação, pertence a todos os estados da federação e, justamente por isso, não cabe como eixo exclusivo de um símbolo estadual desta ou de nenhuma outra unidade.
Superadas justificativas caem por terra ao elucidarmos o que segue:
Há espantosa comparação com o Hino do Estado do Rio de Janeiro. Pasme! É quase cópia. Ora, isso torna essa fragilidade ainda mais evidente. O hino fluminense foi criado antes do catarinense e também celebra – com razão, o fim da escravidão. A diferença é decisiva: ele nomeia seu povo, convoca os fluminenses, situa o território simbólico que representa. O catarinense não faz nem isso.
Argumentos e mais argumentos tem apontado o tema “Proclamação da República” que colocou fim ao jugo português – mas não serve, porque não é exclusividade de estado algum. Ambas tratam direta e inequivocamente sobre a Abolição – que igualmente não serve, pelas mesmas razões.
Não se trata de acusação de plágio. Mas, como perceber o arremedo, as palavras idênticas e as expressões similares. Trata-se da constatação de uma proximidade excessiva de intenção, imagens e vocabulário. O resultado é um texto genérico de algum brasileiro, não necessariamente desta ou daquela parte do país.
Com isenção e coragem precisamos assumir que a proximidade de dois grandes acontecimentos nacionais tem servido de pano de fundo para algo que já não se sustenta:
Lei Áurea –1888
Proclamação da República – 1889
Hino do Rio de Janeiro - 1889
Hino de Santa Catarina – 1895
Reconheço e compartilho a dor que implica tal ação no Estado que tanto amamos. Mas, dor maior ser ver ainda a Santa Catarina sem seu glorioso Hino, sinônimo de exaltação, como deve ser. Jamais de outro assunto, mas de si e dos seus.
Este valente e exemplar Estado brasileiro precisa dar um fim nesse faz de conta e legar à posteridade uma obra cantável, emocionável e justificável. Não é pedir muito.
Rever símbolos não é apagar a história, especialmente quando da efetivação desses algum descuido ensejar a devida correção. É o caso.
As consequências desse equívoco simbólico que ainda perdura - são perceptíveis no cotidiano escolar e cívico. Poucos cidadãos decoram o hino. Menos ainda conseguem cantá-lo com convicção. Não por desinteresse, ou desamor, mas por ausência de identificação. Pois pertencimento não se impõe por decreto.
Santa Catarina é um estado plural, diverso, economicamente vigoroso e culturalmente singular. Seu hino deveria refletir, de forma atemporal, sua realidade, exaltar suas peculiaridades, reconhecer sua gente e fortalecer o sentimento de pertencimento das novas gerações.

Por isso, conclamo:
• Ao egrégio Poder Legislativo Catarinense, a acrescentar este prisma e a retomar o debate público qualificado, livre de intimidações morais; seguido das providências concernentes ao rito.
Pensemos, sem medo, na criação de uma nova obra — legitimada por processo democrático e transparente. A Alesc já avançou sobremaneira. Estamos perto. Um olhar mais detido verá o óbvio.
Este tema não pode ser empurrado para debaixo do tapete.
Não é uma pauta menor. É um gesto de responsabilidade histórica.
Não é por nós apenas.
É pelas gerações que nos sucederão.
Que possam cantar, em alto e bom som, um belo e apropriado Hino que desperte pertencimento — jamais alienação.
Joaçaba – SC, 27/12/2025
Jaime Telles - Autor e pesquisador da cultura catarinense
Joaçaba - Santa Catarina
/
Procura-se um vice para João Rodrigues
Jovem é preso pela PM por tráfico de drogas Campos Novos
Prisão por ameaça e porte ilegal de arma em Herval d’Oeste
Prisão por descumprimento de medida protetiva em Herval d’Oeste
PM cumpre prisão por homicídio em Herval d’Oeste
Prisão por furto qualificado em Água Doce
PM cumpre mandado de prisão e apreende arma de fogo em Erval Velho
Novas regras de consignado para servidores entram em vigor
Alesc homenageia FCDL-SC por incentivo ao empreendedorismo feminino