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CORRUPÇÃO

Operação “Bolso Duplo” por “rachadinha” em Santa Cecília - partiu da sogra

31/03/2026 às 15:05

O GAECO está cumprido seis mandados de busca e apreensão em três municípios catarinenses - Santa Cecília, Navegantes e Balneário Camboriú - em investigação que apura a prática dos crimes de associação criminosa, peculato e concussão.

Na manhã desta terça-feira (31/03), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), em apoio à investigação conduzida pela Subprocuradoria-Geral para Assuntos Jurídicos do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), deflagrou a Operação “Bolso Duplo”. A operação tem com o objetivo coletar elementos probatórios relativos à suposta prática dos crimes de associação criminosa, peculato e concussão envolvendo agentes públicos e particulares vinculados à administração municipal ceciliense. 

Na ação, estão sendo cumpridos seis mandados de busca e apreensão em três municípios catarinenses, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina em razão da prerrogativa de foro de um dos investigados, visando à apuração de crimes contra a administração pública relacionados à prática de “rachadinha”. 

A investigação demonstrou que, durante o ano de 2025, após a identificação de um caso de nepotismo, a Promotoria de Justiça da Comarca de Santa Cecília instaurou um Inquérito Civil recomendando a exoneração da servidora nomeada para exercer função pública no município de Santa Cecília, estruturando-se um esquema conhecido popularmente por “rachadinha”, que acontece quando parte dos salários funcionários públicos acaba desviado para agentes políticos responsáveis pela indicação ou nomeação em cargo público. 

Após a exoneração desse parente da autoridade com foro por prerrogativa de função, foi estabelecido um esquema de “rachadinha”, onde o novo nomeado repassaria parte da sua remuneração a um dos investigados, tudo isso com a anuência do Chefe do Executivo local. 

Os materiais de relevância investigativa apreendidos durante as diligências serão encaminhados à Polícia Científica, que realizará exames e emitirá os laudos periciais. Essas evidências serão analisadas pelo GAECO para dar prosseguimento às diligências investigativas, identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração de eventual rede criminosa. 

A investigação tramita em sigilo e, assim que houver a publicidade dos autos, novas informações poderão ser divulgadas. 

Operação “Bolso Duplo” 

O nome Operação Bolso Duplo foi escolhido por representar, de forma simbólica, a dupla destinação do salário, já que no contracheque constava o valor integral, como se todo o montante realmente permanecesse com o servidor, porém uma parte ilícita desse salário acabava desviada no esquema conhecido popularmente como “rachadinha”. 

Foi identificado na investigação que o esquema funcionava com uma espécie de “bolsos duplos”, onde o primeiro era aquele visível que simulava legalidade da remuneração e o segundo era paralelo, dissimulado, com o montante retornando de forma oculta para o benefício do parente de um dos investigados. 

Culpa da sogra, nome aos bois!

Maria Deuza Ribeiro de Souza foi exonerada do cargo de secretária de Administração no dia 29 de maio de 2025, após recomendação do MP

A nomeação da sogra do prefeito Carlos Enrique Garcia Langer (Podemos), de Santa Cecília, no Meio-Oeste de Santa Catarina, para o cargo de secretária de Administração na prefeitura foi o ponto de partida para a investigação que apura um suposto esquema de “rachadinha” no município e culminou com uma operação nesta terça-feira (31). Um dos alvos de busca e apreensão é o prefeito.

A situação veio à tona em maio de 2025, quando o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) identificou um caso de nepotismo — ou seja, quando parentes são nomeados para cargos de direção, chefia ou assessoramento na administração pública. O órgão recomendou a exoneração da mulher e do companheiro dela, que era secretário de Transportes, Obras e Serviços Urbanos.

Maria Deuza Ribeiro de Souza e Eduardo Giovanni Ariano dos Santos foram exonerados de seus respectivos cargos no dia 29 de maio, como consta no Diário Oficial do Município.

À época, o MP apontou que a prática comprometia princípios básicos da administração pública, como a moralidade e a impessoalidade. “Quando um gestor público utiliza o poder que lhe foi confiado para favorecer pessoas próximas, enfraquece a confiança da sociedade nas instituições”, afirmou o promotor de Justiça Murilo Rodrigues da Rosa, em nota divulgada na época.

A prefeitura de Santa Cecília informou que não teve acesso aos autos, que correm em segredo de Justiça, e que por enquanto não irá se pronunciar. (Fonte: NSC)

GAECO 

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) é uma força-tarefa conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina e composta pela Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, e tem como finalidade a identificação, prevenção e repressão às organizações criminosas. 

Mario Serafin / Fonte: Ministério Público de Santa Catarina