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JUSTIÇA

Júri de Julgamento de Claudia Hoeckler: suspenso, retorna na sexta, 29/08

28/08/2025 às 15:07

Concluído a oitiva da décima testemunha, Gabriela Hoeckler, de 25 anos, filha de Claudia, pouco depois das 22h desta quinta-feira (28), a juíza Jéssica Evelyn Campos Figueredo Neves iniciou o interrogatório da ré, às 22h16min, e informou que na sequência haverá a suspensão da sessão do Tribunal do Júri da comarca de Capinzal. Os trabalhos serão retomados nesta sexta-feira (29), às 8h.

A sessão começou pouco depois das 9h, no plenário da Câmara de Vereadores de Capinzal, com um corpo de jurados formado por quatro mulheres e três homens ouvindo as testemunhas do crime que aconteceu em novembro de 2022, no inteiror de Lacerdópolis. 

A defesa é composta pelos advogados Matheus Molin, Gabriela Bemfica, Jader Marques, Casseano Barbosa, Tiago de Azevedo Lima, Eduardo Rebonatto e Guilherme Pittaluga Hoffmeister. Eles sustentam que Claudia foi vítima de violência doméstica durante os 20 anos de relacionamento e que o crime ocorreu nesse contexto.

Na acusação, atuam os promotores de Justiça Rafael Baltazar Gomes dos Santos e Diego Bertoldi. O advogado Álvaro Alexandre Xavier, assistente de acusação, reforça a tese de homicídio duplamente qualificado — por meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, Valdemir Hoeckler. Segundo ele, o crime foi premeditado e brutal, e a tentativa de caracterizar Valdemir como agressor não encontra respaldo no processo.

Testemunha da Ré

No final da tarde desta quinta-feira (28), a sétima testemunha do julgamento de Claudia Tavares Hoeckler — acusada de assassinar o marido, Valdemir Hoeckler, e ocultar o corpo em um freezer no interior de Lacerdópolis, em novembro de 2022 — foi ouvida no plenário da Câmara de Vereadores de Capinzal. O depoimento começou por volta das 16h40 e se estendeu até 17h30. O júri teve início às 9h da manhã.

A testemunha, amiga de Claudia, relatou a rotina da ré, que trabalhava cuidando de crianças, fazendo faxinas, atuando em uma escola e também em atividades na agricultura. Segundo ela, Valdemir era ciumento e controlador: Claudia precisava ter cuidado com os assuntos tratados em casa, sendo necessário um “combinado” para evitar que ele ouvisse conversas.

A amiga contou ainda que Valdemir chegou a enviar uma mensagem perguntando sobre o que as duas conversavam. Relatou que Claudia tinha horários determinados pelo marido para todas as atividades e que era obrigada a aceitar a presença da ex-esposa de Valdemir em sua casa, inclusive preparando refeições para ela.

A testemunha mencionou episódios de violência física e psicológica. Disse que Claudia confidenciou ter passado uma noite inteira apanhando e que usava roupas compridas para esconder as marcas. Citou também que, após a filha do casal ter ido a um café colonial usando saia curta, Valdemir teria cortado a peça no dia seguinte. Segundo ela, a filha tinha ainda horários limitados para usar o celular.

A defesa destacou a existência de um boletim de ocorrência por ameaça, registrado em 2019, no qual consta depoimento da filha do casal. Ressaltou também que Valdemir não arcava com os custos da faculdade dela. A testemunha relatou que, em uma ocasião, Claudia pegou dinheiro escondido para pagar os estudos da filha e, ao ser descoberta, discutiu com o marido — fato que, segundo a defesa, teria ocorrido no mesmo dia do registro do BO.

A amiga afirmou que Claudia era impedida de usar roupas diferentes das habituais. Relembrou um episódio no litoral, quando a ré vestiu algo mais leve e foi repreendida por Valdemir. Narrou ainda que, em uma ocasião, Claudia teria sido agredida e se refugiado por dois dias na casa de uma mulher para quem trabalhava. Questionada sobre o motivo de não ter revelado esse fato anteriormente à Polícia, disse que tinha medo.

Segundo a testemunha, o ciúme de Valdemir era excessivo a ponto de não permitir que Claudia tivesse amizades nem mesmo com outras mulheres, insinuando que isso seria prova de homossexualidade. Relatou ainda que ele demonstrava ciúmes da própria relação de Claudia com a filha.

Durante o depoimento, a acusação apresentou um áudio em que Valdemir não demonstrava comportamento de ciúmes. No conteúdo, ele aconselhava a testemunha dizendo que não era fácil, pois já havia passado por algo semelhante com a filha. O Ministério Público usou esse material para sustentar que Valdemir mantinha vínculo afetivo com a filha.

A testemunha acrescentou que Claudia aparentava estar triste no dia do casamento. Em contraponto, a acusação apresentou fotos em que a ré aparecia sorrindo e beijando Valdemir, o que contraria a versão apresentada pela amiga.

Testemunho do filho de Valdemir

Após a pausa para o almoço, o julgamento de Claudia Tavares Hoeckler, acusada de assassinar o marido Valdemir Hoeckler e ocultar o corpo em um freezer, foi retomado às 14h29 desta quinta-feira (28). O crime ocorreu em novembro de 2022, no interior de Lacerdópolis.

A quinta testemunha a ser ouvida foi o filho de Valdemir, de um relacionamento anterior, que reside em Concórdia. Diante dos jurados, advogados de defesa, promotores e assistente de acusação, ele relatou que o pai havia se casado oficialmente com Claudia cerca de 40 dias antes do crime, com o objetivo de comprar terras da família. Segundo o depoimento, mesmo antes da descoberta do corpo, o filho já desconfiava do que poderia ter acontecido, apesar de ter sido levantada a hipótese de suicídio.

Durante seu relato, mencionou uma marca no corpo de Claudia, que acredita ter sido deixada por Valdemir ao tentar se desvencilhar durante a asfixia. O filho afirmou nunca ter presenciado episódios de agressão entre o casal e destacou que as menções à violência doméstica só surgiram após o crime. Ele lembrou ainda que possui dois irmãos por parte de pai e que, do relacionamento de Valdemir e Claudia, havia uma filha.

O depoente confirmou também que o pai mantinha dinheiro em espécie em casa, mas desconhecia o valor exato. As terras que pretendiam comprar pertenciam ao pai de Valdemir, falecido em agosto.

Ele destacou ainda que o relacionamento extraconjugal entre o pai e Claudia teria durado cerca de dez anos, antes do casamento. Questionou, em sua fala, como Valdemir poderia ter maltratado Claudia, se chegou a deixar a primeira esposa para viver com ela. Relatou também que os avós sempre trataram Claudia muito bem, embora a mãe dele tivesse constantes discussões com Valdemir por causa do envolvimento com a acusada.

O filho recordou ainda uma situação durante as buscas pelo pai desaparecido: ao questionar Claudia sobre o motivo de não dormir na cama do casal, ela respondeu que preferia permanecer em um cômodo ao lado do freezer porque “imaginava que ele poderia voltar”.

Durante o depoimento, a defesa de Claudia afirmou que outro filho de Valdemir, irmão da testemunha, tinha uma relação distante com o pai e seria bastante ciumento. Também apresentou um áudio da primeira esposa de Valdemir, no qual ela dizia que preferia “apanhar e ficar quieta” a arrumar confusão.

O depoimento do filho se estendeu até pouco antes das 16h.

Júri de Cláudia Hoeckler inicia com quatro testemunhas até a primeira pausa

O julgamento de Cláudia Tavares Hoeckler, acusada de assassinar o marido, Valdemir Hoeckler, de 52 anos, e ocultar o corpo em um freezer em Lacerdópolis, começou pouco depois das 9h desta quinta-feira (28), na Câmara de Vereadores de Capinzal.

A sessão é presidida pela juíza Jéssica Evelyn Campos Figueredo Neves e conta com a atuação dos promotores de Justiça Rafael Baltazar Gomes dos Santos e Diego Bertoldi na acusação. Também participa como assistente de acusação o advogado Álvaro Alexandre Xavier, que reforça a tese de homicídio duplamente qualificado — por meio cruel e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Já a defesa é formada por uma equipe de sete advogados: Matheus Molin, Jader Marques, Gabriela Bemfica, Casseano Barbosa, Tiago de Azevedo Lima, Eduardo Rebonatto e Guilherme Pittaluga Hoffmeister. Os defensores sustentam que Cláudia foi vítima de violência doméstica ao longo de 20 anos de relacionamento e que o crime ocorreu nesse contexto. A estratégia inclui a apresentação de testemunhas, boletins de ocorrência e um laudo psiquiátrico, para tentar afastar a tese de premeditação. Vale destacar que Jader Marques também atua na defesa de réus do caso da Boate Kiss, tragédia de 2013 em Santa Maria (RS).

Primeira parte da sessão

Até por volta das 13h35, foram ouvidas quatro das doze testemunhas previstas — seis indicadas pela acusação e seis pela defesa. Os depoimentos foram acompanhados pelos sete jurados (quatro mulheres e três homens).

A primeira a se manifestar foi uma agente da Polícia Civil, que à época respondia pela delegacia de Lacerdópolis. Na sequência, prestou depoimento um policial da DIC de Joaçaba, que detalhou o trabalho investigativo até a localização do corpo no freezer.

O terceiro depoente foi um amigo próximo de Valdemir, que relatou o impacto da descoberta do crime. Por fim, um policial militar, também próximo da vítima, descreveu a cena em que o corpo foi encontrado com as mãos amarradas e uma sacola na cabeça.

Com o término da quarta oitiva, a sessão foi interrompida para o intervalo de almoço, marcado até 14h16min. O público presente tem 15 minutos de tolerância para retornar ao plenário, sob risco de perder a senha de acesso.

O Circo

/ Fonte: Rádio Capinzal