11/08/2026 às 03:51
Por Alexandre Garcia, jornalista
Um informante da Polícia Federal afirmou, em depoimento, que Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, teria facilitado o acesso de um grupo ligado a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao Ministério da Saúde.

O relato, divulgado pela CNN, coloca no centro da investigação um personagem que atualmente ocupa cargo no Palácio do Planalto e que já comandou a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.
Segundo o informante, Berger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teriam funcionado como canais de comunicação entre Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, e integrantes do Ministério da Saúde.
O depoimento vai além. O informante declarou que Antunes teria realizado pagamentos periódicos a Lulinha em troca de acesso a órgãos da área da saúde, com o objetivo de viabilizar a comercialização de produtos relacionados ao canabidiol.
É importante ressaltar: as acusações, até o momento, são baseadas no relato de um informante e não representam uma conclusão da Polícia Federal sobre a responsabilidade dos envolvidos. As defesas de Lulinha, Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes contestam as acusações.
Mas o conteúdo do depoimento levanta uma questão política inevitável: se a versão apresentada pelo informante vier a ser confirmada por documentos, mensagens ou outras provas, quem tinha acesso a quem dentro do governo — e por quais motivos?
A pergunta ganha peso porque os nomes mencionados não aparecem isoladamente. Berger ocupa atualmente uma função no Palácio do Planalto, Marcola foi chefe de gabinete do Presidente Lula, e Lulinha é filho do chefe do Executivo.
A investigação, portanto, terá de esclarecer se houve apenas contatos legítimos entre empresários e integrantes da administração pública ou se existiu, de fato, uma estrutura de acesso privilegiado ao Ministério da Saúde.
E é justamente nesse ponto que o caso deixa de ser apenas uma investigação sobre relações empresariais e passa a envolver uma questão essencial para qualquer governo: até onde vai a influência de pessoas próximas ao poder e onde começa o favorecimento indevido?
O Palácio do Planalto e o Ministério da Saúde foram procurados para se manifestar sobre o conteúdo do depoimento.
Alexandre Garcia / Jornalista
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