01/07/2025 às 14:26
O Brasil ocupa posição de destaque no cenário energético mundial. Com uma matriz majoritariamente renovável e um ecossistema robusto de geração, transmissão e distribuição, o país se tornou referência para nações ainda dependentes de combustíveis fósseis.
Avançando em frentes estratégicas, como a eletrificação da mobilidade, o desenvolvimento de soluções de armazenamento e a digitalização dos processos, o setor elétrico nem sempre caminha na direção correta. Afinal, para quem estamos inovando?
Inúmeras inovações em digitalização, automação e inteligência de dados se voltam para ganhos operacionais e melhorias internas. Entretanto, problemas significativos persistem no relacionamento com o consumidor final, especialmente nas áreas mais vulneráveis do sistema. Isto dificulta o acesso de micro e pequenas indústrias a programas de eficiência energética, e cresce a chamada ‘favelização energética’, em que populações vivem à margem, com infraestrutura precária e acesso instável à energia.
Em 2026, está prevista uma reforma do setor elétrico, que prevê medidas como justiça tarifária, abertura total do mercado e redistribuição de encargos e subsídios. A partir dela, o cliente deixará de ser coadjuvante, ocupando assim o centro das atenções. Neste sentido, o setor precisará reconfigurar-se para atender a uma nova lógica de mercado, na qual o valor percebido, a confiança e a experiência do cliente serão tão importantes quanto os megawatts entregues.
Esse novo cenário demanda uma mudança profunda na forma como o segmento interpreta a inovação, em que otimizar a geração e reduzir perdas técnicas continuam sendo importantes, mas não suficientes. Ou seja, será fundamental transformar modelos de negócio, canais de atendimento, formas de comunicação, produtos e soluções energéticas, adaptando às realidades diversas dos consumidores brasileiros.
O cliente do futuro será múltiplo: consumidor e produtor, individual e coletivo, local e global. Ele buscará mais informação, liberdade de escolha e capacidade de comparar alternativas. Para atender a esse perfil, o mercado precisará adotar uma postura mais aberta, conectada e comprometida com a entrega de valor real.
Portanto, lideranças e executivos do setor energético devem encarar esse desafio com visão de longo prazo. A inovação que, de fato, fará a diferença será aquela que conecta o sistema elétrico à sociedade que o sustenta. É hora de transformar inclusão, acesso e adaptabilidade em metas reais e mensuráveis. O futuro da energia pertencerá a quem entender que inovar é, acima de tudo, melhorar a vida das pessoas, e não apenas os sistemas que as cercam.
Vitória Alves de Sá / Analista de Inovação, Comunicadora e Relações Públicas com mais de dez anos de experiência em implementar e fortalecer a cultura de inovação.
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